#CF2016 – O saneamento básico e os resíduos sólidos

Como já disse aqui, neste último dia 10 de fevereiro iniciou-se a Campanha da Fraternidade com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade” com o lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). Segue abaixo uma reflexão do Pe. Luiz Carlos Dias, sobre o saneamento e os resíduos sólidos.

Campanha da Fraternidade 2016

“O papa Francisco, ao referir-se à problemática dos resíduos sólidos (lixo), diz: ‘A terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo’ (Laudado Si, n. 21). O Brasil gera cerca de 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos; se esse número for dividido pela população, concluiremos que cada brasileiro é responsável pela “produção” de, em médica, 1 (um) quilo diário dessa montanha de resíduos. Segundo dados de pesquisas do IBGE sobre o saneamento básico no país, 72,3% dos resíduos sólidos são depositados de forma inadequada e 20 mil toneladas diárias são lançadas nas ruas, nas galerias de águas pluviais ou em cursos de água.

No Brasil, estima-se que 14 milhões de toneladas de alimentos são descartados a cada dia, quantidade suficiente para alimentar em torno de  19 milhões de pessoas. Há ainda o problema do lixo hospitalar – muitas vezes depositado com os descartes das residências, situação observada em 2.569 cidades do país – e do lixo atômico, causa de acidente de graves consequências em Goiânia no ano de 1987. Problemas como estes estão ligados à cultura do descarte, a qual afeta os seres humanos e as coisas ao serem convertidas rapidamente em lixo.

A solução passa pela moderação do consumo, pela maximização da eficiência do aproveitamento dos recursos não renováveis e pela reutilização dos materiais. São necessários investimentos na coleta seletiva e na construção de aterros sanitários, os quais, construídos segundo normas técnicas, protegem a população e o meio ambiente de eventuais danos que os resíduos e seus efluentes líquidos ou gasosos possam causar.  É fundamental saber qual é o tratamento dispensado ao lixo em sua cidade.”

Pensando neste texto, pensei em como é a nossa realidade por aqui.  O Aterro Sanitário de Palmas/TO ocupa uma área de 96 hectares sendo que 220 toneladas de lixo são descartadas por dia no local e também atende a Lei 12.305/2010 que determina o fim dos lixões no país. Ainda assim, no Tocantins, dos 139 municípios, apenas a Capital Palmas possui aterro sanitário. As demais cidades ainda dispõem de lixões a céu aberto, o que, devido ao descarte inadequado de material poluidor, poderia contaminar mananciais e áreas produtivas. Mas apesar de lenta, a discussão começou a ganhar forma no Estado. Alguns municípios já sugerem a possibilidade de dividir a responsabilidade de maneira consorciada entre as prefeituras. Mas este não é um problema só daqui, a destinação correta do lixo ainda causa dor de cabeça para cerca de 59% dos municípios brasileiros, que dispõem seus resíduos de maneira ambientalmente inadequada.

O que pode ser visto é que, a situação do saneamento básico e descartes de resíduos sólidos no Brasil ainda é frágil, com esta maior proliferação do Aëdes aegypti e as doenças relacionadas ao mosquito, a situação pode ainda piorar.  Vale sempre lembrar do cuidado semanal de cada um em suas casas e ao redor, terrenos baldios e obras de construção devem ser analisadas e vistoriadas por toda a população também!

Vou tentar postar semanalmente os textos disponíveis na revista “O domingo” que veem com reflexões sobre o meio ambiente e a casa comum. Geralmente são bons textos para que possamos abordar a nossa realidade também.

Leia também: A Campanha da Fraternidade e os temas de meio ambiente

Fonte: Jornal Primeira Página | O domingo n° 9