Impacto do plástico: Como o descarte de plástico nos oceanos afeta a vida do planeta?

Texto por Rafaela Pietra.

Uma enorme quantidade de resíduos plásticos cobrindo e afetando diversos ecossistemas no oceano. É com isso que cientistas têm se deparado durante expedições de pesquisa, que revelam o terrível impacto do descarte incorreto do plástico que vai parar nos mares por todo o mundo.

Tartaruga presa por plástico - Foto: Google Imagens

Tartaruga presa por plástico – Foto: Google Imagens

Um estudo realizado recentemente na Austrália comprovou a drástica e perigosa diminuição da população de tartarugas-verdes, espécie ameaçada de extinção, em consequência da ingestão de restos de produtos plásticos. Além delas, cinco das sete espécies de tartarugas marinhas são consideradas ameaçadas ou em perigo, de acordo com a União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), por ingerirem garrafas, sacolas plásticas e outros materiais que poderiam ser reciclados.

Nas praias brasileiras, biólogos lutam para salvar pinguins, golfinhos e outros animais marinhos. No litoral paulista, um estudo realizado por alunas do curso de Biologia Marinha da Universidade Santa Cecília (Unisanta) retirou bitucas de cigarro, copos plásticos e até mesmo brinquedos do estômago de 50 tartarugas marinhas encontradas mortas e resgatadas pela Gremar – Associação de Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos.

A pesquisa aponta ainda que, em 2010, a Gremar resgatou 155 tartarugas entre Bertioga e Peruíbe. De 1º de janeiro a 31 de outubro deste ano, o número aumentou para 173.

No litoral norte, o Instituto Biota faz o mesmo trabalho. Segundo a instituição, que cuida sozinha dos animais marinhos em Maceió, o número de tartarugas encalhadas na capital alagoana mais que triplicou em três anos, vítimas de algum componente plástico ingerido em alto mar.

Sacola plástica no fundo do mar - Foto: Google Imagens

Sacola plástica no fundo do mar – Foto: Google Imagens

Em terra, filhotes de albatrozes e pelicanos são encontrados mortos nas praias ao redor do mundo. Pedaços de plástico perfuram seus órgãos quando são alimentados por seus pais com o material, confundido com peixes ou águas vivas. Em outros casos, morrem de fome com os estômagos cheios do material, impossíveis de digerir. O plástico acaba afetando até mesmo o DNA de pequenos animais, como plânctons e pequenos crustáceos, intoxicando-os e alterando sua composição genética.

Provenientes de materiais maiores que se desgastaram, o microplástico, partículas microscópicas de plástico, são como esponjas que absorvem outros componentes tóxicos, como químicos encontrados em tintas e vernizes de barcos. Esses componentes se acumulam no organismo dos animais afetando outros seres através da cadeia alimentar, em eventos impossíveis de serem previstos. Até mesmo peixes radioativos já foram encontrados em redes de pesca na América do Norte.

Para evitar

Diminuir o número de plásticos que vão parar nos oceanos é a única forma de amenizar tais desastres. Além da limpeza urgente e a responsabilização de países pelo descarte indevido de lixo nos oceanos, defendida por ambientalistas como o oceanógrafo Jean Michel Cousteau, a ação individual de cada um de nós pode ajudar.

A reciclagem é a principal forma de evitar que o lixo doméstico vá parar nos oceanos. Lixões mal administrados e empresas irregulares causam grande parte dos estragos que citamos acima e não é tão fácil identificar para onde vai o lixo que você descarta todos os dias.

Para ter mais segurança, procure empresas de reciclagem que recolham os materiais ou que permitam a entrega deles. Uma solução pode ser unir a vizinhança em uma ação maior, promovendo um mutirão de reciclagem. Separar o lixo e descartá-lo corretamente é o primeiro passo para evitar que ele afete os animais e os oceanos.

Além disso, diminuir a quantidade de produtos com insumos plásticos que compramos é uma solução. Em algumas lojas é possível deixar embalagens, sem ter de levá-las para casa no ato da compra. Sacolas retornáveis também são excelentes saídas. Além de amigáveis ao meio ambiente e duráveis, ainda são práticas e úteis.

Pequenas ações diárias podem mudar o panorama catastrófico que vivemos hoje em dia impedindo que mais tragédias aconteçam, fazendo com que todo esse plástico e poluição vá parar novamente em nossas casas, e o pior, em nossos pratos.