Minha visão ambiental de Maceió/AL

topomaceio

Fui a Maceió para a abertura do curso de Pós-Graduação em Gestão de Recursos hídricos, fornecido pelas faculdades federais de Santa Catarina e Alagoas, teve início na quinta-feira (08/10) e término no sábado ao meio dia, muito corrido e de alta qualidade. Pude presenciar palestras ministradas por pessoas renomadas na área, além de um excelente reconhecimento na região Nordeste.

Mas a minha intenção em escrever esta matéria nem é de apresentar o curso para vocês, isto eu farei aos poucos aqui no blog, com uma coluna voltada apenas para os Recursos Hídricos (gostaria de indicações para o nome).

A cidade é linda, bem organizada (exceto o trânsito, que é bem conturbado mas de fácil entendimento, desde que siga a orla, claro rs). Uma coisa que me intrigou e que depois percebi  por confissões de amigos que já andaram por outras cidades no Nordeste, é normal  ver crianças pedindo “dinheiro” nos pontos de ônibus, eu já fui em Salvador (por sinal estou em Salvador, no aeroporto, escrevendo esta matéria, enquanto espero o vôo de conexão) e a cidade tem alguns, mas não com tanta freqüência como encontrei em Maceió. Muitas pousadas, com preços para toda a classe e ainda bem situados, foi um pouquinho difícil achar, mas apenas pelo fato do alto número de pessoas que lá se encontravam e claro, a localização. o sotaque dos alagoanos é um espetáculo a parte!! Fui hospedada na casa de amigos na “Ponta Verde”, um bairro bem próximo da praia, foi uma hospitalidade perfeita, adorei conhecer todos. Nos dias que passei pós curso ainda fui em um show de reagge com bandas locais e Tribo de Jah, foi perfeito na praia do Frances!

praiafrances

No quesito ambiental, que é o foco principal desta matéria, a cidade me surpreendeu, assim como várias outras coisas. Digo surpreender no sentido bom da palavra, pois esperava coisa pior, só de pensar que fui á praia na véspera de um feriado (Dia de Nossa Senhora da Aparecida/Crianças).  O mar se encontrava tão limpinho, uma água  VERDE, e que ia azulando a perder de vista, uma coisa  LINDA  de se ver. A frase mais pronunciada por todos, não apenas por meus colegas que ali estavam comigo, mas também por outros turistas que tive a honra de conhecer na água era:

Oh vida difícil! (irônico)

E é mais ou menos isto mesmo, um lugar belíssimo e principalmente  CUIDADO. Nos finais dos dias que passamos por lá, a praia evidentemente terminava meio sujinha, com vários copos plásticos espalhados, Mas dava para perceber a intenção dos vendedores na praia de manter a praia  LIMPA. Fui em uma manhã na praia, bem cedinho mesmo, tinham algumas dúzias de pessoas por lá, e TCHARAMM !!! sim, a praia estava  LIMPINHA (devo esclarecer que estou falando da praia do Frances, no qual passamos dois dias, uma maravilha). Enquanto íamos para as praias, vimos um despejo de esgoto na praia, feira com canos enormes e que despejava a uma distância considerável da praia, provavelmente em uma profundidade alta, até então fio o único despejo que observei além de terrenos vazios repletos de entulho (novidaaade o.O).

Em um destes dias fomos a praia do Gunga, onde fomos informados que a praia seria muito linda também e sem dúvida, enchemos os olhos, mas como alegria de pobre dura pouco, estava  LOTADA  de gente e nem conseguimos aproveitar muito nesta manhã (comi ostra pela primeira vez, nem gostei tanto assim), as pousadas “pareciam” ser bem cuidadas, tive uma experiência em uma delas que creio que não vou esquecer tão cedo. Enquanto esperava as amigas se arrumarem para sair para o show, fiquei na frente da pousada, lá se encontrava o dono e sua neta, ela me perguntou se eu tinha medo de lobisomem… na esportiva eu disse que não, que eu era tipo uma guerreira que estava ali para capturar lobisomens (estava tentando aguçar sua imaginação) e eu eu iria sair mais tarde para capturá-lo, assim ela foi me perguntando se eu tinha filhos e porque eu não tinha medo e respondi simplesmente assim:

Não tenho medo porque quando era criança comecei a estudar muito e nas historinhas do colégio fui descobrindo que deveria conhecer meus medos para que um dia eu pudesse começar a trabalhar (disse que eu trabalhava com meio ambiente), que aquela praia que estava próximo a ela e as plantas precisavam de cuidado, que tudo que estava em volta dela precisava do cuidado dela também para que ela se sentisse bem no meio (conceito de meio ambiente) e que se ela deixasse tudo sujo ninguém viria até a pousada dela e também ela não iria gostar de estar ali, que a cidade precisava de atenção e que ela deveria ajudar as pessoas a deixarem ela limpa também até  de ensina-las que não se deve sujar as ruas, praias, pousadas e a floresta. Para finalizar, disse que era assim que eu espantava o lobisomem que ela achava ter por perto. Mas o que mais me surpreendeu nem foi esta aulinha (ela parecia não prestar atenção), mas sim, sair mais tarde e vê-la falando para alguém na rua, que não podia deixa-la suja. Isto sim foi gratificante.

No último dia, quando fui pela manhã na praia da Ponta Verde fiquei conversando com um vendedor na praia,  e ele me disse que uma de suas obrigações ali era a de deixar a praia limpa, para que no outro dia ela estivesse agradável, mesmo tenho a Viva Ambiental (serviço de limpeza da cidade) este era o mínimo que ele podia fazer. gostei do que escutei e percebi que enquanto estava lá ele entregava sacolas para colocar o lixo e ainda coletava os cocos na praia, foi nítido.

No geral, a viagem foi linda, conheci lugares, pessoas, culturas e costumes que não imagina que tivesse tanta diferença daqui. O mais importante, sem dúvida é a conservação de lugares como estes, conheci a parte Sul da cidade e já venho com esta bagagem toda para vocês, espero em abril conhecer a parte Norte e ver se há alguma diferença.

Acho que viajar é muito mais do que aproveitar os momentos e sim observar costumes, principalmente os costumes ambientais.