Pajés tecnológicos fazem chover no Brasil

Para conhecimento geral informo que não é apenas “São Pedro” que determina onde e quando vai chover. O homem com sua mania de dominar tudo, desenvolveu tecnologias de tal maneira que consegue, em alguns caos, “fazer chover”.
Será?
Há controvérsias.
Em 1946 o químico e meteorologista autodidata Vincent Joseph Shaefer (norte americano) causou a primeira chuva artificial de que se tem notícia.
Chamada de semeadura, nucleação artificial ou bombardeamento de nuvens a técnica consiste em inserir substâncias aglutinadoras na base ou no topo de uma nuvem com potencial de precipitação (chuva).
As substâncias vão desde água potável pulverizada até pó de carvão.

Chuva artificial - Foto: shc.hu

Chuva artificial – Foto: shc.hu

Uma empresa brasileira cobra a partir de R$200 mil reais para provocar uma chuvinha básica, porém os valores podem chegar a níveis bem mais altos do que as próprias nuvens.
Sabe-se que a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) irá gastar R$4,47 milhões com a única empresa brasileira que faz este serviço, para tentar amenizar os déficits causados pelo mais baixo nível da história nos reservatórios do Sistema Cantareira que abastece cerca de 10 milhões de pessoas.
Acontece que muitos especialistas avaliam como ineficaz em quase 100% dos casos a técnica, pois o avião (pode ser feito também com foguetes lançados do solo) tem que passar na nuvem em determinado estágio, caso contrário ela evapora e já era.
Além disso a grande maioria das precipitações provocadas não são suficientes para aumentar os níveis da maioria dos reservatórios pelo Brasil e pelo mundo.

Chuva artificial - Foto:wiki

A brasileira pós doutorada pela Nasa em meteorologia, Maria Assunção Faus revela que estudos mundo afora confirmam a ineficácia do sistema, além de não se conseguir medir qual a quantidade de chuva foi provocada e qual não foi, uma vez que são pulverizadas apenas nuvens carregadas com potenciais de chuva.
É mole?
E agora? O que daria para fazer com quase R$5 milhões de reais literalmente jogados nas nuvens?
Até que ponto as chuvas artificiais realmente são benéficas e resolvem alguma coisa?
Será que os “pajés tecnológicos” tem ideia do que realmente estão fazendo ao inserir substâncias aglutinadoras nas nuvens?
E outra, os ambientalistas já disseram que é impossível prever em que as chuvas artificias podem afetar o ecossistema.
Penso que no mínimo é irresponsável provocar algo artificial na natureza sem saber qual será o efeito real para o planeta.

 

Chuva artificial - Imagem: Esmeralda Notícias

 

Encerrado em 2000 após décadas desastrosas de falta de resultados e gastos do dinheiro público, o Funceme, programa cearense para este fim, mostrou-se ineficaz não tendo registrado nenhum benefício significativo durante sua existência.

E lá vai nosso dinheiro pelo ralo!

Considerado incipiente por Augusto Pereira Filho, titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, até o momento o método e sua aplicabilidade não justificam de forma alguma seu alto custo em função dos resultados não satisfatórios e nada comprovadores.

Então minha gente, vamos por a cabeça no lugar e pensar várias vezes antes de lançar mão do suado dinheiro público (suado para nós que pagamos) e investir melhor em algo que realmente valha a pena.

Quantas atitudes e ações ambientais poderiam ser executadas com esta boa quantia “jogada nas nuvens”?
Grande abraço!