Redução das Unidades de Conservação no Brasil: avanço ou retrocesso?

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No início de 2017 surgiram calorosas discussões mediante o encaminhamento de uma proposta ao Congresso que visava reduzir Unidades de Conservação (UC) no Brasil. As unidades que teriam suas áreas originais diminuídas apresentam funções estratégicas, pois fazem parte de um cinturão de áreas protegidas, ao longo do sul do Pará e do Amazonas, que bloqueia o avanço do desmatamento em direção ao centro da floresta amazônica. Estas UCs têm grande importância em função de impedirem a disseminação da grilagem e do desmatamento, que ocorre com extrema rapidez no sul do Amazonas.

Entre as polêmicas, encontra-se o asfaltamento da BR-319, defendido por políticos e fazendeiros, mas de grande preocupação para os ambientalistas, pois esta obra pode estimular frentes de desmatamento e a resultante fragmentação da floresta, com consequências nefastas, principalmente para diversas espécies que necessitam de extensas áreas para a sobrevivência, como as onças pintadas.

As UCs visam proteger a grande biodiversidade que a Floresta Amazônica abriga, já que este bioma possui diversas espécies endêmicas e raras, além de espécies ameaçadas de extinção e recém descobertas em estudos científicos. A fragmentação de florestas contínuas bem preservadas pode comprometer seus processos ecológicos e dinâmica de espécies, causando alterações no microclima local, com consequências na qualidade da água e luminosidade, alterando a dinâmica, estrutura e interações das espécies que compõe as comunidades naturais.

Em junho de 2017 foi anunciado o veto presidencial à polêmica medida provisória, o que não garante a proteção destas áreas, uma vez que o Congresso já sinalizou o interesse em leis que visam trazer o “desenvolvimento” às custas de uma maior exploração dos recursos naturais.

É fundamental que a sociedade esteja vigilante, pois se os ecossistemas já se apresentam bastante degradados com a aplicação da legislação atual, afrouxar mais as leis ambientais pode ser uma prerrogativa para a degradação e um enorme retrocesso perante os esforços para a necessária conservação do meio ambiente. Portanto, um verdadeiro retrocesso, julgando antecipadamente por toda a comunidade internacional e em especial pelos pesquisadores desta tamanha biodiversidade que será ameaçada. Resta-nos como já mencionamos ficar vigilantes, e promover movimentos de debates sobre o tema com a finalidade de garantir a perpetuação destas espécies ameaçadas para a futura geração.

Autores:

André Maciel Pelanda é tutor de cursos de Graduação e Pós-Graduação na área ambiental – Centro Universitário Internacional Uninter

Augusto Lima da Silveira é coordenador de cursos de Pós-Graduação na área ambiental – Centro Universitário Internacional Uninter

Rodrigo Berté é Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades – Centro Universitário Internacional Uninter

Fonte: Agência PG1