Saneamento, religião e sociedade – Unidos por uma preocupação comum

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Parece que estou fazendo uma grande mistura de assuntos, não é? Mas eles nunca estiveram tão unidos como estão agora. Em junho passado o Papa Francisco publicou a carta encíclica Laudado Si‘, sobre o cuidado da casa comum (clique aqui para ler na íntegra, ou fazer o download), neste documento, o pontífice apresenta a preocupação com a degradação ambiental, as mudanças climáticas e a pobreza no mundo. O texto aponta o ser humano como o principal responsável pelo aquecimento do planeta, além de alertar para os riscos da privatização da água.  Gostei muito a forma em que ele denomina o meio, nada mais justo que o chamar de “casa comum”, comum a todos. Neste texto quero ao máximo não me pautar em minha opinião religiosa, mas sim ao respeito ao pontífice a também à sua sapiência em falar sobre o assunto que é tão residente ao VivoVerde, o meio ambiente.

O saneamento sempre foi um assunto abordado por todos, nas escolas desde cedo as crianças estudam sobre a conservação da água e a relação que esta tem com a saúde da população, aqui no blog é uma pauta relativamente sempre lembrada, há pelo menos dois anos os jornais (El Pais | Folha) não paravam de falar sobre a crise hídrica que ocorria/ocorre no sistema Cantareira e entorno, afinal não podemos excluir outras localidades, afinal, a escassez de água não foi e nem é um “privilégio” apenas de São Paulo e região. Enquanto só se falava em São Paulo, os níveis dos reservatórios do Rio de Janeiro estavam ainda piores. A cidade de Belo Horizonte também sinalizou que, se a seca continuasse, precisaria racionar água. Como essas três capitais estão no Sudeste, pode parecer que a crise está restrita a essa região, o que também não é verdade. O que sempre estava em minha mente, era no Nordeste, não podemos esquecer que a crise hídrica por lá, praticamente faz parte da “cultura popular” da população, mas não colocando no sentido pejorativo, e sim na questão de que a água é tão idolatrada, querida e entendida como um bem de sobrevivência, que o respeito a água chega influenciar outras áreas, como a religião. Historicamente, é comum em épocas de seca, o povo começar a fazer novenas e simpatias para chamar chuva. Cada região tem seu santo forte, que interfere no andamento do tempo, normalmente os Santos lembrados são São Jorge, Santo Antônio, São Benedito e São Sebastião.

A carta encíclica do Papa Francisco fez um grande rebuliço na mídia, com 192 páginas ela fala sobre poluição e mudanças climáticas, a questão da água, perda da biodiversidade, deterioração da qualidade de vida humana e degradação social, desigualdade planetária, fraqueza das reações, diversidade de opiniões, e no mais, a união por um bem comum. Não distante desta carta, há poucos dias foi anunciada a temática para a Campanha da Fraternidade de 2016 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que terá como tema “Casa comum, nossa responsabilidade”, e visa assegurar o acesso ao saneamento básico como um direito de todos., o lema que acompanha o tema está baseado na passagem bíblica de Amós, capítulo 5, versículo 24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. A Campanha da Fraternidade de 2016 segue a linha de raciocínio da encíclica papal. 

Quando falo em sociedade, é apenas para fechar o ciclo de assunto, é impossível não ligar o homem / ser humano / homo sapiens / o indivíduo que vive em meio a natureza, interagindo para o bem ou para o mal. Seria ingenuidade minha não relatar os trabalhos realizados por entidades, profissionais e pessoa comum para manter o meio ambiente em harmonia, da mesma forma que não posso excluir as ações de pessoas que exploram o meio por um ambiente tida por eles como ideal ou pelo menos conveniente a ele.

Relacionar estes assuntos e colocar em pauta, seja em grandes eventos, reuniões familiares ou até mesmo em conversas de bar, é uma boa escolha para que mais e mais pessoas possam se conscientizar. Os jornais estão se pautando em matérias de conscientização do uso da água, mais e mais pessoas e empresas estão vendo que só há benefícios em reduzir o consumo, reutilizar a água e coletar as águas da chuva, creio que logo logo, construir casas com estes recursos serão tão normais quanto comprar lâmpadas fluorescentes hoje em dia. Mas creio também que ainda há muito a mudar, e a ser reformulado, creio que 2016 é um ano que promete, pois com a  Campanha da Fraternidade abordando este assunto, Olimpíadas (ações de sustentabilidade), a mídia trabalhando em reportagens, os níveis dos reservatórios cada vez mais baixos, tudo indica que ainda vamos falar muito sobre saneamento…

Para finalizar, eu indico este texto: 11 fatos que você precisa saber sobre a crise no Brasil. Háaaa, deixe um comentário sobre o que você pensa na associação destes assuntos e os dias de hoje.