Saúde também é meio ambiente

O Dia Mundial da Saúde foi criado em 7 de abril de 1948, pela Organização Mundial de Saúde – OMS, fundamentado no direito do cidadão à saúde e na obrigação do Estado na promoção da saúde. Ao longo da história da humanidade, o saneamento ambiental tem sido o instrumento mais eficaz para a promoção da saúde. Nesse sentido, o depoimento da moradora de uma favela do Recife, no lançamento do programa “Fome Zero”, pelo Presidente Lula, foi decisivo: “O que o pessoal precisa mesmo é de uma casa com água e esgoto. Tendo uma habitação digna, a comida a gente consegue”. As nossas primeiras lembranças quando se fala em saúde são assistência médica, hospital, remédio… Essas coisas, no entanto, constituem apenas um componente no campo da saúde. Muitas vezes, é mais importante ter água potável, ambiente e alimentos saudáveis. Tudo isso, quando bem feito, resulta em um bom nível de saúde pública.

Saúde pública é mais do que o somatório da saúde das pessoas. É instrumento para o desenvolvimento social e econômico e está intimamente relacionada com a paz, educação, habitação e eqüidade. É fantástico o alcance dos benefícios do saneamento ambiental, principalmente nas camadas menos favorecidas da população. Imagine, por exemplo, 34 milhões de pessoas que nunca foram ao dentista, como indica pesquisa do IBGE, recebendo água com flúor. O imenso contingente de doentes que superlota os Centros de Saúde, na maioria das vezes, é proveniente de áreas sem saneamento ambiental. Dados da OMS indicam que nessas regiões a incidência anual de doenças diarréicas atinge cerca de um bilhão de pessoas e mais 1,5 bilhões são infectadas por helmintíases.

O saneamento ambiental tem efeito imediato na redução dessas enfermidades ao romper o círculo vicioso que se estabelece quando o paciente é medicado e devolvido para o ambiente insalubre. Ao reduzir as filas nos Centros de Saúde, o saneamento ambiental representa importante alívio orçamentário no Setor Saúde, compensando, com folga, os investimentos. Saturnino de Brito e Oswaldo Cruz foram os profissionais que mais se destacaram nas primeiras reformas sanitárias realizadas no Brasil, respectivamente, pela implantação dos serviços de água e esgotos, e pelas campanhas de vacinação, nas grandes cidades do litoral. Atualmente, são mais de 170 mil trabalhadores envolvidos direta e indiretamente com saneamento ambiental que se destacam, pela grandeza da sua missão.

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES e a Faculdade de Saúde Pública da USP, que fomentam iniciativas para a formação e especialização de profissionais na área do saneamento ambiental, e oferecem espaço para discussão dos assuntos relacionados com saneamento ambiental e saúde pública, neste dia, cumprimentam os trabalhadores das empresas de saneamento básico, dos serviços municipais de água e esgotos, das empresas de coleta de lixo, dos catadores de material reciclável, dos professores e consultores, em fim de todos aqueles que, muitas vezes, não têm consciência de que são os verdadeiros agentes da saúde pública.

Getúlio Martins
Coordenador do Comitê de Saúde Pública da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES/SP

(Texto extraído de www.ambientebrasil.com.br em homenagem ao dia mundial da saúde, comemorado no ultimo dia 7 de abril de 2008).
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A OMS, no Dia Mundial da Saúde 2008 alertou para o aquecimento global, que traz impactos para a saúde pública de todos os países e só através da colaboração internacional esse desafio poderá ser vencido.
Entre as recomendações feitas pela agência das Nações Unidas está o fortalecimento da vigilância sanitária e o controle de enfermidades infecciosas. Com o aquecimento planetário, as autoridades de saúde temem que doenças tipicamente tropicais, como malária e dengue (caso que segue com grande preocupação no estado do Rio de Janeiro e em outras localidades também, mas com menos índices), atinjam os países hoje mais frios do Hemisfério Norte. No Hemisfério Sul, alagamentos em algumas regiões podem fortalecer ainda mais essas doenças; em outras, a seca pode levar à desidratação e à desnutrição.
A poluição do ar promete mais casos de asmas, bronquites e outros problemas de ordem respiratória, além de alergias. Também devem aumentar os casos de doenças ligadas ao estresse, que afetam coração, circulação e pulmões.
Se as mudanças climáticas não forem combatidas, os suprimentos de comida, ar e água estão sob risco. É recomendável o fortalecimento da infraestrutura de saúde em países pobres e em desenvolvimento. O maior impacto deve ser visto em regiões rurais e remotas, que serão as primeiras a receber o impacto climático, onde já registra casos de “refugiados ambientais” o que pode ser um grande problema futuramente.


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daianeea@gmail.com
Att.: Daiane Santana;
Grata.