Sustentabilidade na arte indígena #JMPI2015

Texto: Paula Bittencourt – Imagem: Adilvan Nogueira

 

Yanaxi explica tradição do batizado dos indígenas Manoki aos visitantes da feira

Yanaxi explica tradição do batizado dos indígenas Manoki aos visitantes da feira

A riqueza e a beleza cultural dos indígenas que participam dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI) podem ser traduzidas no artesanato produzido nas aldeias. Peças decorativas, artigos utilizados na rotina das etnias e acessórios fazem parte do acervo à venda na Feira Mundial de Artesanato Indígena. No local, estandes de indígenas de todo o mundo chamam a atenção dos visitantes.

Da Bahia, os Pataxó fazem sucesso com o artesanato característico do povo que vive em contato com a natureza farta de Porto Seguro. A artesã Naiara Pataxó explica que todos os artigos são usados no dia a dia na aldeia, como é o caso da lança feita de pati – tipo de madeira encontrada em uma espécie de palmeira da região. “Quando a árvore morre a gente aproveita para trabalhar o artesanato. Na lança, os detalhes são feitos com serra e facão, e esse trançado aqui no meio é com a fibra de um coqueiro que a gente encontra na praia”, ressaltou.

Ainda de acordo com a indígena, a matéria prima para confecção da maioria das peças é fruto do que eles encontram na natureza. “O colar é feito com sementes de salsa e mauí”, diz, ressaltando que todas as partes da árvore são utilizadas. “Aproveitamos também as folhas e a raiz para a pesca. A gente pisa e bate a mistura na água para deixar os peixes tontos e mais fáceis de pescar”, conta.

Já de Mato Grosso, Márcio José Yanaxi compartilha com os visitantes um pouco das tradições da etnia Manoki. Segundo ele, a pena presa ao nariz é um costume que marca o batizado dos homens da aldeia, por volta dos nove anos. “O buraco é feito com o espinho do tucum e depois vamos alargando”, explica, lembrando que do tucum ainda se usa a fibra para a confecção de brincos e pulseiras.

Yanaxi, que na língua Manoki significa Lima Limeira, também conta que os cestos à venda na feira são usados para as atividades diárias dos indígenas na aldeia. “O cesto é feito de urubamba, uma espécie de cipó, e serve para carregar mandioca, batata, levamos para a beira do rio para colocar peixe; é bem resistente”, garante.

Outras culturas

Ao todo, 44 expositores participam da mostra. Além dos povos brasileiros, mostram um pouco mais da sua cultura etnias da Guatemala, Chile, Equador, Congo, Costa rica, Nigaragua, Bolívia e Nova Zelândia. Mahinga Rangi não perde tempo ao fazer pinturas corporais nos visitantes dos Jogos. No estande do povo Te Aitanga a Hauiti, da Nova Zelândia, ele explica que os desenhos são bastante típicos entre o povo indígena da Oceania. “São pinturas tradicionais da nossa etnia”, diz.

Brenda Frank também está expondo um pouco da sua cultura. Indígena da Nicarágua, ela mostra os detalhes das peças feitas com a casa de uma árvore chamada tuno. Segundo Brenda, o artesanato é um dom entre as mulheres, responsáveis por todo o processo de produção. “Utilizamos a segunda capa da árvore. Levamos para casa e golpeamos a madeira até que ela fique maleável para trabalhar”, explica, ressaltando que com o produto é possível fazer telas, bolsas, carteiras e até porta passaporte.

A Feira Mundial de Artesanato Indígena funciona de 10 às 21 horas e segue aberta à visitação até sábado. De acordo o balanço parcial do Sebrae Tocantins, até agora mais de 80 mil pessoas visitaram a estrutura montada na vila dos JMPI. Ao todo, já foram comercializados R$ 248 mil em produtos no local.

 

Fonte: Jornal do Tocantins