Onde está o calor do aquecimento global?

Como eu havia dito no primeiro post, estou fazendo mestrado em meteorologia na UFAL (Universidade Federal de Alagoas), e a maioria do que aprendemos nas aulas dificilmente vejo ser difundida pela internet, ou mesmo organizada numa idéia lógica. Parece até que isso não e feito de propósito. No entanto esse artigo mostra de uma forma bem simples que a muito do que se fala atualmente do efeito estufa antropogênico não e tão simples assim como é apresentado, na verdade essa e uma área cheia de incertezas, onde dados que são fatos não são completamente conhecidos pela comunidade científica, e os que são conhecidos dificilmente explicam totalmente a teoria e os estudos científicos. As previsões climáticas mais conhecidas pela publico em geral são as do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, porém ultimamente como a ciência está em constante evolução e mudança conhecemos novos ângulos que precisam ser melhor estudados, e que mudam a forma de entendermos o meio ambiente.

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Bom achei o artigo interessante, apesar de já ter sido discutido um pouco disso nas aulas do mestrado, dessa forma a informação ficou muito mais acessível.

Tirem suas conclusões, mesmo sobre o artigo ainda existem muitas incertezas, e acredito novas descobertas estão para acontecer e provavelmente voltaremos a esse assunto por aqui. Pessoal que se interessar e tiver dúvidas vamos discutir.!!

O artigo e da redação do site inovação tecnológica, baseado no artigo original publicado a conceituada revista Science, no final tem a bibliografia para quem estiver interessado.

Cientistas não sabem onde está o calor do aquecimento global

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Os dados dos satélites artificiais indicam que a Terra está recebendo mais calor do Sol do que refletindo para o espaço. Mas os instrumentos não conseguem encontrar onde esse calor está se acumulando.[Imagem: NASA]

Mas enfim, onde está o calor do aquecimento global?

As ferramentas de observação atualmente disponíveis não conseguem explicar aproximadamente metade do calor que se acredita estar se acumulando na Terra nos últimos anos.

Enquanto os instrumentos dos satélites artificiais indicam que os gases de efeito de estufa continuam a aprisionar cada vez mais energia solar, ou calor, desde 2003 os cientistas têm sido incapazes de determinar para onde está indo a maior parte desse calor.

Isso leva a uma de duas possibilidades: ou as observações dos satélites estão erradas ou grandes quantidades de calor estão indo para regiões que ainda não são adequadamente monitoradas e medidas, como as partes mais profundas dos oceanos.

Para agravar o problema, as temperaturas da superfície da Terra apresentaram uma forte estabilização nos últimos anos. Contudo, o derretimento das geleiras e do gelo do Ártico, juntamente com a elevação dos níveis do mar, indicam que o calor continua tendo efeitos profundos no planeta.

Calor perdido

Cientistas do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica (NCAR), nos Estados Unidos, advertem que os sensores de satélites, as bóias oceânicas e os outros instrumentos são inadequados para rastrear esse calor “perdido”, que pode estar se acumulando nas profundezas dos oceanos ou em qualquer outro lugar do sistema climático.

“O calor vai voltar a nos assombrar mais cedo ou mais tarde”, diz Kevin Trenberth, um dos autores do artigo que foi publicado na revista Science.

“O alívio que nós tivemos na elevação das temperaturas nos últimos anos não vai continuar. É fundamental rastrear o acúmulo de energia em nosso sistema climático para que possamos entender o que está acontecendo e prever o clima futuro,” afirma ele.

Fluxo de energia

Trenberth e seu colega John Fasullo sugerem que o início rápido do El Niño no ano passado – o evento periódico marcado pela elevação da temperatura superficial do Oceano Pacífico tropical – pode ser uma maneira em que a energia “perdida” tem reaparecido.

Outra fonte de informação, mas agindo no sentido oposto, são os invernos inesperadamente frios ao longo dos Estados Unidos, Europa e Ásia, que tem marcado os últimos anos e que as previsões indicam deverão perdurar nos próximos.

Eles afirmam que é imperativo medir melhor o fluxo de energia através do sistema climático da Terra.

Por exemplo, qualquer plano de geoengenharia que queira alterar artificialmente o clima do mundo para combater o aquecimento global pode ter conseqüências inesperadas, que podem ser difíceis de analisar a menos que os cientistas possam monitorar o calor ao redor do globo.

Calor acumulado nos oceanos

Os dados dos instrumentos dos satélites mostram um crescente desequilíbrio entre a energia que entra na atmosfera a partir do Sol e a energia liberada a partir da superfície da Terra. Este desequilíbrio é a fonte de longo prazo do aquecimento global.

Mas rastrear a quantidade crescente de calor na Terra é muito mais complicado do que medir as temperaturas na superfície do planeta.

Os oceanos absorvem cerca de 90 por cento da energia solar capturada pelos gases de efeito estufa. O restante se divide entre as geleiras, os mares congelados, a superfície não coberta pelo mar e a atmosfera – ou seja, somente uma pequena fração do calor capturado aquece o ar da atmosfera.

E, apesar das medições dos satélites, o calor medido nos oceanos, até uma profundidade de cerca de 1.000 metros, está constante há anos.

Possibilidades de erro

Embora seja difícil quantificar a quantidade de energia solar que chega à Terra com precisão, Trenberth e Fasullo estimam que, com base em dados de satélites, a quantidade de energia acumulada parece ser de cerca de 1 watt por metro quadrado, enquanto os instrumentos oceânicos indicam um acúmulo de cerca de 0,5 watt por metro quadrado.

Isso significa que aproximadamente metade da quantidade total de calor que se acredita ser aprisionado pelos gases de efeito estufa está “desaparecido.”

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Ocean heat content estimates show that energy in the form of heat is building up on Earth. [Imagem: NCAR/courtesy Science]

Há muitas possibilidades de erro, e esse “calor perdido” pode ser uma ilusão, dizem os autores.

O não fechamento do balanço global de energia pode ser resultado de imprecisões nas medições por satélites, imprecisões nas medições feitas pelos sensores de superfície ou mesmo do processamento incorreto dos dados, dizem os autores.

Corrigir os satélites ou encontrar o calor perdido

Tudo ia bem até 2003, quando uma frota de robôs submarinos e bóias automáticas foi lançada ao mar para coletar dados atmosféricos em um nível nunca antes alcançado.

Em vez de reforçar os modelos climáticos que apontam para o aquecimento global, os novos sensores mostraram uma redução na taxa de aquecimento oceânico, ainda que o desequilíbrio medido pelos satélites continue apontando que o balanço líquido de energia da Terra está aumentando.

Os robôs submarinos da missão Argo também ajudaram a verificar que as mudanças na circulação oceânica não estão ocorrendo como os cientistas previam – veja Correia Transportadora Oceânica não está desacelerando, diz NASA.

Para resolver o mistério, os cientistas propõem duas medidas: aumentar a capacidade dos robôs submarinos, lançando equipamentos mais modernos que possam atingir profundidades entre 1.000 e 2.000 metros, onde o calor pode estar se acumulando, e o desenvolvimento de novas formas de calibrar os sensores dos satélites, uma forma de garantir que suas medições são precisas.

Bibliografia:

Tracking Earth’s Energy
Kevin E. Trenberth, John T. Fasullo
Science
16 April 2010
Vol.: 328: 316-317
DOI: 10.1126/science.1187272

18 comentários em “Onde está o calor do aquecimento global?

  • Pingback:Eng. Daiane Santana

  • Pingback:Mario

  • 23 de abril de 2010 em 12:24
    Permalink

    Acho improvavel que o calor vá para as prfundezas do Mar, acredito mais nas falhas dos satelite.

  • Pingback:Bunto

  • Pingback:Renan Ishin

  • 23 de abril de 2010 em 13:04
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    Esse tipo de coisa que eu quero ler…

    A Termodinâmica do planeta parece bem mais complexa do que parece!

  • Pingback:Bunto

  • 23 de abril de 2010 em 13:29
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    Isso ai Galera, fico feliz por terem gostado do post… Podem contar que sempre teremos assuntos desse tipo..

  • 23 de abril de 2010 em 13:35
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    mto boa a materia 🙂

  • Pingback:Diego Rocha

  • Pingback:Eng. Daiane Santana

  • 23 de abril de 2010 em 13:49
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    Aquecimento global é uma farça, porém necessária. Mas claro, sou totalmente à favor de vivermos sem ter nossa presença notada ( sustentabilidade ).

    O aumento da temperatura terrestre deve-se ao unico astro que tem real poder sobre nossa vida aqui: o Sol.
    Analisem as atividades do sol e comparem com o aumento e diminuição de temperatura na terra.

    Olhos abertos!

  • 23 de abril de 2010 em 15:56
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    Ótima matéria, espero poder ler mais artigos sobre o tema.
    Creio que as falhas não estejam nos satélites, mas sim que estamos nos dando com algo que está mt além do nosso conhecimento. Concordando com o Hugo, temos que ficar de olhos bem abertos e atentos.

    Parabéns pela matéria Diego.

  • Pingback:Wellington Rocha

  • 23 de abril de 2010 em 17:55
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    Hugo e Kassio, concerteza iremos falar um pouco mais sobre o tema nos próximos Post’s, quem sabe poderemos aprofundar um pouco mais no assunto de mudanças climaticas. Um dos meus professores é doutor no assunto, e suas aulas não muuito interessantes, rsrsrs…que bom que já tem gente de Olhos Abertos!

    Obrigado a todos

  • Pingback:Wellington Rocha

  • 26 de abril de 2010 em 12:09
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    Opa…também acredito que os instrumentos estão a cada dia sendo aperfeiçoados, creio que os satélites não erram, somente estão em constante evolução para que seja possível medir com precisão o fenômeno ou quantidade física de interesse. Todos eles possuem limitações e carácterísticas particulares, os erros médios, desvios, relação sinal-ruido e outras são documentadas, mais pouco divulgadas.

    Entender a termodinâmica não é algo trivial, mas é possível….geralmente as equações simplificam o que aconteçe na natureza, pois a quantidade de iterações é enorme e sua complexidade a cada dia vai sendo conhecida, é um trabalho contínuo….

    o SOL sim, este é uma das grandes variáveis a ser questionada, em termos de comportamento, ciclos, etc, e infelizmente fala-se pouco(mídia) para o público geral sobre sua contribuição em todo o processo de suposto aquecimento.

    Resumindo, é estudo para muitos anos, graças a Deus…acredito que antes de engolirmos o que a mídia divulga, é mais importante ler os artigos, teses, dissertações originais, feitos pelos precursores de cada hipótese para explicar algo, veremos que muita coisa fica obscura para o público geral.

    abs

  • 22 de agosto de 2011 em 17:36
    Permalink

    Acho que moro em outro planeta, pois aqui no Rio Grande do Sul os invernos estão cada vez mais longos e mais frios.Aquecimento onde???

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