Busca por animais perdidos tem até rã que “dá à luz” pela boca

Foto: Conservação Internacional/Divulgação

Esta rã “incubadora” engole e choca os ovos no estômago e os girinos nascem pela boca da mãe.  Saber que nossa fauna e flora é rica em diversidade/biodiversidade, creio que não é novidade para ninguém, a grande questão é que dia após dia nos surpreendemos com algo mais.

Equipes internacionais de cientistas começaram uma busca considerada inédita para tentar encontrar 100 espécies de anfíbios “perdidas”. Os animais são considerados extintos, mas podem existir em poucos locais remotos, de acordo com a Conservação Internacional e o Grupo de Especialistas em Anfíbios da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês), que anunciaram nesta segunda-feira a expedição.A procura começou em 14 países em cinco continentes. Segundo a Conservação, o esforço ocorre em um momento em que as populações mundiais de anfíbios sofrem declínio dramático – mais de 30% das espécies estão ameaçadas de extinção. Duas das expedições ocorrem no Brasil, para tentar encontrar a Crossodactylus grandis, vista pela última vez na década de 60, e a Cycloramphus valae (rãzinha-das-pedras). A primeira percorrerá cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro de 18 a 31 de setembro. A segunda visitará regiões de Mata Atlântica em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Segundo a organização, o objetivo do estudo é tentar entender a recente crise de extinção de anfíbios, que são importantes para o equilíbrio do meio ambiente e também para a qualidade de vida humana. Eles ajudam, por exemplo, com o controle de insetos que espalham doenças e destroem plantações agrícolas e com a manutenção de sistemas aquáticos saudáveis.

Além disso, a pele dos anfíbios contêm componentes químicos fundamentais para a criação de medicamentos. “Os anfíbios são particularmente sensíveis às mudanças no meio ambiente, por isso são geralmente um indicador do dano que tem sido causado aos ecossistemas”, diz Robin Moore, da Conservação Internacional, em comunicado.

“Esse papel de ‘anunciador da crise’ significa que as alterações rápidas e profundas que têm ocorrido no meio ambiente nos últimos 50 anos – particularmente a mudança climática e a perda de habitat – têm tido um impacto devastador nessas criaturas. Organizamos esta procura por espécies ‘perdidas’ que acreditamos terem conseguido sobreviver para obtermos respostas e para saber o que permitiu a algumas pequenas populações de certas espécies sobreviverem quando o resto de sua espécie desapareceu”, diz Moore.

Entre os problemas, a organização destaca um fungo patogênico que causa quitridiomicose e que foi potencializado pela perda de habitat dos animais. A doença já devastou populações inteiras de anfíbios e foi responsável até mesmo pela extinção de espécies.

Ainda de acordo com a Conservação, das 100 espécies selecionadas, Moore e sua equipe destacam 10 que, segundo eles, sua redescoberta seria “mais emocionante” para os pesquisadores. “Embora reconheçamos que é muito difícil atribuir importância e priorizar uma espécie em detrimento da outra, criamos a lista das 10 principais porque acreditamos que estes animais em particular têm um valor científico ou estético especial”, diz.

Fonte: Terra