Robôs fazendo coleta seletiva

O uso de robótica na seleção de resíduos avança com o desenvolvimento de sensores táteis.

Uma das ferramentas atuais para a conservação do meio ambiente é a reciclagem. Sendo o próprio processo de reciclagem um desafio, a etapa de seleção dos resíduos é extremamente importante. Muitas vezes produtos similares, e que são descartados juntos, precisam passar por processos diferentes de reciclagem. Um exemplo são os diferentes tipos de plásticos, que muitas vezes são descartados em um mesmo recipiente, mas precisam de processos distintos de reaproveitamento. Muitas vezes a falha em separar os diferentes resíduos faz com que grande parte dos materiais vão parar juntos nos lixões.

A etapa de seleção dos materiais além de complicada, é uma tarefa extremamente laboriosa. Como em outras fases do processo de reciclagem, pessoas fazem o método de separação dos materiais, sendo inclusive propensos à contaminação. Contudo, esse processo de separação de materiais tende a ser automatizado. A exemplo de outras áreas de atuação humana, a automação proporciona a substituição dessas pessoas por máquinas em busca de eficiência ou redução de custos. Trabalhos recentes na literatura já tentaram resolver o problema de separação de objetos utilizando visão computacional. Uma câmera identifica os materiais que são apanhados por um manipulador robótico e separados. Como em outros problemas de visão computacional, há falhas por condições de iluminação ou semelhança entre os materiais.

Em uma abordagem diferente, estudantes do MIT desenvolveram um manipulador robótico que identifica diferentes materiais utilizando sensores táteis. O robô, chamado RoCycle, aperta o objeto que vem em uma esteira e seleciona o recipiente correto para descarte. Em um universo de 27 objetos, o robô conseguiu separá-los com uma precisão de 85%.

O protótipo ainda é lento, mas a abordagem tátil para seleção de objetos é interessante quando o uso de câmeras for limitado. Os autores acreditam que esse tripo de robô poderia ser utilizado em prédios residenciais ou universidades para executar uma primeira seleção dos materiais descartados. Eles ainda ressaltam que trabalhos futuros incluem utilização de câmeras para acelerar o processo de seleção.

Qualquer dúvida ou sugestões para posts sobre a área da robótica, encaminhe um e-mail para robotica@vivoverde.com.br ou comente aqui!

Vinicius Prado

Estudante de doutorado em Engenharia Elétrica e Computação na Universidade de Ottawa. Contato: robotica@vivoverde.com.br / Twitter: @vncprado

Um comentário em “Robôs fazendo coleta seletiva

  • 26 de maio de 2019 em 10:46
    Permalink

    Eu sou apaixonada na área em que a robótica está seguindo, principalmente em relação a saúde. Mas me inspira muito saber que a questão ambiental também é material de estudo.
    Vinícius, como você disse, a contaminação é um problema, principalmente quando se fala em materiais de saúde que podem ter patogênicos e também por materias com limpeza ineficiente creio que os sensores podem ajudar a diminuir o contato e separação também. O futuro caminha para isto. Vale ressaltar que ideias assim deveriam ser “compradas” ou adiquiridas pelo setor público com urgência!
    Parabéns pela matéria!

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