Desertificação e seca: até quando vão tratar o homem e o meio ambiente com indiferença?

Ontem no fim da tarde, postei na Fanpage do blog o seguinte texto:

“Quero publicar uma matéria no blog sobre ‘desertificação e seca’, lembrando do Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação que foi comemorado ontem, dia 17 de junho e também o início da Minissérie “Gabriela” na Rede Globo, que retrata bem esta realidade que ainda existe no Nordeste brasileiro, a busca por água. Você tem alguma foto de autoria própria ou algum relato para eu adicionar na matéria? Por favor, diga-nos.”

Não obtive muitas respostas, mas as que vieram foram bem representadas, o perfil Arqueologia Capão Do Bispo encaminhou este relato e estas fotos abaixo:

“Oi Daiane. Trabalhamos na Serra do Cabral, que faz parte do Espinhaço – centro-norte de Minas Gerais, em direção à Montes Claros. Fazemos trabalhos de arqueologia e botânica lá e no ano de 2006 ou 2007, não lembro ao certo, para que houvesse acesso à Chapada da Serra, fizeram então um trabalho para melhorar a estrada de subida e nisso, como fizeram durante as chuvas, simplesmente ficou parecendo uma praça de pedágio de estradas longas, sabe? Vou te enviar umas fotos, feitas por Paulo Seda.
Abração, Lúcia Pangaio”

Fotos:

Carlos Eugênio Carvalho ficou de encaminhar  algumas fotos de Gilbués-PI, “Eu tenho umas de Gilbués, que ta sofrendo desertificação. Depois te mando!” Vamos ver se vai rolar um update aqui, assim eu espero. Mas fui procurar sobre esta região na internet e… A situação lá parece ser crítica já, encontrei vários artigos científicos e fotos.

[UPDATE] Obaaaa!

Ele encaminhou e disse:  ” tenho essas fotos lá de Gilbués, que é um ecótono cerrado/caatinga. A cidade vem sofrendo processo de desertificação e tem uma ONG que atua lá no plantio de árvores numa tentativa de recuperar um pouco da vegetação. A ONG chama Nordesta “

Segundo informações de pessoas da grande região de Gilbués, o processo da desertificação já abrange 07 (sete) municípios do Sul piauiense: Monte Alegre do Piauí, Gilbués, São Gonçalo do Gurguéia, Barreiras do Piauí, Corrente, Riacho Frio e Curimatá. Por outro lado, o IBGE (2004) afirma que apenas nos três primeiros municípios a área degradada é de 7.694 Km², correspondendo a 769.400 hectares, o que representa uma extensão preocupante não só pelo acelerado processo de degradação e a agressividade do fenômeno ao meio circundante, como também pela enorme quantidade de sedimentos transportados em suspensão no escoamento superficial ou enxurrada. Fonte

Mas o que é de fato a desertificação? O próprio nome já diz, é um processo que pode levar vários anos, a vegetação consistente se transformar  em deserto com o passar do tempo, por motivos variados, como desmatamento e intemperes.

Desertificação é o fenômeno que corresponde à transformação de uma área num deserto. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a desertificação é “a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas”. Considera as áreas suscetíveis aquelas com índice de aridez entre 0,05 e 0,65. A ONU adotou o dia 17 de Junho como o Dia Mundial de Combate à Desertificação. Wiki

Aqui mesmo no Tocantins temos um lugar belíssimo e que “sofre” por causa do processo de desertificação, nem posso generalizar pelo uso da palavra “sofre”, pois este fato ajuda a conservarmos um dos cartões postais do Estado do Tocantins. O Jalapão é hoje conhecido mundialmente como “O deserto brasileiro”, mas é um deserto  diferente, regado por muita água e água límpida e calma.

No início falei da minissérie “Gabriela” que estreou ontem (18/06) e que já no primeiro capítulo deixa bem claro como é a vida lida de quem mora em lugares extremamente áridos, como é o nosso sertão brasileiro, é o fato de ver todo o rebanho sendo morto, o sol escalpela, o que sacia um pouco a sede e a falta de água, são poças que se formam nos “lajeiros” e duram pouco tempo. O que resta ao sertanejo é se agarrar a fé ou até mesmo o êxodo rural.

Um dia destes o programa “Profissão repórter” mostrou bem como o Brasil vive em “contradições” no tempo, a seca implacável no Nordeste e a chuva em abundância no Norte, intitulado “Seca no Nordeste e alagamento no Norte” – Parte 1 e Parte 2.

Mas a seca no Brasil caminha por vários fatores que poderiam nem serem comentados por mim aqui, que é a corrupção e desvio de dinheiro… Programas e projetos que são esquecidos ou até mesmo nem chegam a sair do papel por causa da má administração do poder público.

Um vez cheguei a pensar que a seca era uma forma de “cultura”, do poder avassalador que o sertanejo se agarra aos santos, a esperança da chegada da chuva, o compartilhar e ao mesmo tempo o lutar pelo pouco que tem… Mas hoje eu vejo que não é bem assim, respeito muito a força e a esperança deste povo, mas é sabido que há várias formas e programas de incentivo a melhorias até mesmo da qualidade de vida. Quando se fala em seca, remete-se diretamente a fome, miséria e morte, a própria Constituição Brasileira assegura o cidadão brasileiro o direito e prioridade da dessedentação humana e  animal, que chega a ser tão discriminada e até mesmo ignorada por parte de muitos. É aquela coisa… É o ensinar a pescar… E o Brasil tem poder e obrigação de fazer isto… mas sabe o que falta? Respeito!

No ano passado, em um evento da Ford que premiava as melhores ações ambientais do país, tive o privilégio de conhecer o senhor José Dias, que trabalha na instalação de cisternas captadoras de água da chuva no semiárido nordestino. Um trabalho maravilhoso, mas que passa por vários problemas (principalmente com relação direta ao poder público) e pude compartilhar desta história aqui no blog.

Já dei palestras sobre “A água e os usos da água”, no qual a conservação das florestas é fundamental para a conservação da qualidade e quantidade da água e isto está diretamente ligado ao processo de desertificação. É o cuidar para compartilhar com as gerações futuras.

Obs.: Significado de Indiferença

s.f. Característica de alguém que se mantém de maneira tranquila, não demonstrando preocupações, se comportando de forma indiferente face à algo ou à alguém: se comportou com indiferença diante da tragédia.

Ausência de interesse, falta de consideração: indiferença pelos sentimentos alheios.
Sentimento de apatia ou incapacidade para responder quaisquer atividades estimulantes.
Condição de alguém que não se deixa influenciar pelos sentimentos ou responde aos mesmos.
(Etm. do latim: indifferentia)

Nota: No título eu dou a entender que homem e meio ambiente são diferentes, mas foi meramente ilustrativo… O homem e o meio ambiente estão diretamente interligados entre si, formando um só!

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

2 comentários em “Desertificação e seca: até quando vão tratar o homem e o meio ambiente com indiferença?

  • 22 de junho de 2012 em 15:25
    Permalink

    Olá Daiane!

    O problema da desertificação é sério e urgente, assim como outros relativos ao meio-ambiente, os quais você trata magistralmente neste espaço!

    Parabéns pelo trabalho, e continue assim!

    Já favoritei!

    Grande abraço!

  • 30 de outubro de 2012 em 3:59
    Permalink

    A desertificação no nordeste brasileiro, esta seria cidades serranas como Aratuba esta morrendo toda as plantas,os sitios estão se transformando en desertos

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