Relatório de Sustentabilidade 2012 da Coca-cola Brasil

Na semana passada fui convidada para a apresentação do Relatório de Sustentabilidade 2012 da Coca-cola Brasil. O evento ocorreu no Espaço Tom Jobim (de telhas já antigas, achei o máximo) no Jardim Botânico do Rio de Janeiro/RJ.

O evento teve início com as palavras do vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Coca-Cola Brasil,  Marco Simões, apresentando os 8 pilares em que a Coca-cola se baseia e o conceito “me, we, world”, a integração do eu, nós e o mundo (sustentabilidade) e os vínculos da Coca-cola com a Copa do Mundo em 2014.

Um dos trabalhos que mais me deixou entusiasmada foi o comprometimento que a empresa tem com a água. Um projeto viabilizaria devolver toda água utilizada para o meio (neutros em água), hoje é utilizado 1,91 litro de água por litro de bebida, a meta é chegar em 2020 utilizando 1,5 litro, além das ETE’s que desde 2000 já estão instaladas em todas as fábricas.

São mais de 150 produtos que circulam pelo Brasil, a empresa trabalha com comunidades ribeirinhas da Amazônia e outros grupos e foco no trabalho feminino, com a viabilidade de mais mulheres trabalhando, achei a intenção ótima, e até me disponho a trabalhar em alguma indústria (quem não chora não mama, né? Rsrsr).

Uma apresentação que me deixou animada foi a do Fred Gelli, designer e vencedor da marca das Olimpíadas de 2016, que apresentou o conceito de “ecomercado”, tecnologia e produtos amigos do homem e da natureza, além do conceito “ecochato x ecosexy” que tem por aí, suas inspirações são provenientes de soluções naturais e ainda fez uma analogia às embalagens e às várias formas, como a barriga de uma mulher grávida, o próprio planeta Terra, a banana, uma mexerica, dando o sentido de que a natureza utiliza o quanto menos de material para se “envelopar”.

“na natureza nada cresce o tempo todo”

Algo que Fred Gelli lembrou e que é interessante sempre ser lembrado, é o fato de que somos sim consumidores, mas que obrigatoriamente esta não é uma função nossa, você tem o livre arbítrio de escolher porque, como, quanto e como consumir, que faz parte do conceito de “consumo consciente” e que foi amplamente lembrado, mas que tem que estar diretamente ligado a uma oferta consciente também!

Em um outro momento foi a vez do diretor executivo do Instituto Akatu, Eduardo Schubert, que explicou o significado a palavra “akatu”, que significa semente boa e muito melhor e o símbolo da empresa, que remete a uma mãe que gesta por seu filho (o mundo).

A população mundial não para (nem vai parar) de crescer e junto com isto o consumo também, hoje já são 50% a mais do que o planeta consegue renovar.

 “todo processo tem impacto que afeta a todos”

Considerando que estamos a margem de enchentes, mudanças climáticas, mudanças no próprio ambiente de trabalho, entre outros intempéries, isto impulsiona a ideia de que o homem vive uma insegurança do seu habitat. Estamos na “era do hiper”, onde tudo é hiper… Hiper competição, hiper velocidade de mudança, hiper transparência e visibilidade, o que provoca ameaças, mas também oportunidades, como transformar o descartável em durável.

“consumir para viver e não viver para consumir”

Tião Santos, o homem do “lixão de Gramacho” e líder do Movimento Nacional dos catadores de materiais Recicláveis, que fez tudo se transformar, com a sua força de vontade e perseverança no que acreditava e acredita. Falou abertamente e lembrou das 200 toneladas de material reciclável que era coletado por dia no lixão de Gramacho…

Lembrou da exclusão social que o ato de se trabalhar ou estar vinculado ao lixo (material reciclável) ainda é observado por muitos. No Brasil não fomos educados para separar o lixo, mas há de se acreditar nas novas gerações e trabalhar para que esta educação possa se fazer realidade. O que é necessário e com urgência é investir, criar mecanismos para que a coleta seja viável (infraestrutura).

Uma questão delicada e importantíssima é a saúde. É sabido que 13 doenças estão ligadas diretamente ao lixo, por destinação incorreta. Lembrou que seria demagogia demais falar que não podemos comprar as coisas, mas sempre lembrando da sustentabilidade.

“Sustentável é manter, sustentar, não deixar cair!”

É rever nossas atitudes. É observar quem consome, porque consome e para que consome. A sustentabilidade não pode ser vista como algo apenas comercializável, é partir do princípio de que aquilo está sendo feito para uma melhoria coletiva.

Ao fim das apresentações uma questão foi levantada e achei interessante, “a sustentabilidade como sentimento egoísta para nossa sobrevivência”, não deixa de ser uma “quase verdade”, mas ainda acredito que trabalhamos também, pensando nas gerações futuras, como bem lembrou o Tião Santos.

A apresentação foi ótima, e me fez lembrar da minha formação acadêmica, do início, de como tudo começou, da vontade que todos nós tínhamos de transformação e que ao longo do curso fomos percebendo que tudo partia de nós mesmos, que estava em nossas mãos criar e transformar com métodos de engenharia o que o próprio homem (ou a natureza, por meio de impactos naturais) tentava destruir.

O relatório que foi apresentado para todos os participantes tinha “algo mais”, ele foi produzido em PET reciclado (sobrecapa) e Vitopaper (capa e miolo), papel sintético feito a partir de plásticos reciclados pós-consumo. A tinta usada na impressão é feita a base de óleos vegetais, portanto, agride menos o meio ambiente.

“A decisão da Coca-Cola Brasil por esses materiais tem o objetivo de que a publicação seja em si, uma peça reciclável, minimizando o seu impacto no meio ambiente.”

A Coca-cola mostra que não é apenas mais uma empresa que se preocupa com as questões ambientais, mas trás a discussão para que seja feita! Isto sim é importante para se conhecer… É ir além dos selos de responsabilidade ambiental!

Quer ver mais fotos do evento? Clique na foto acima, nela os blogueiros representantes do #VivaPositivamente, Bibiana Maia (@bibianamaia) do blog Semente que Voa (@blogsemente), eu, Daiane Santana (@VivoVerde), Tiffany Stica (@blogdati) do Blog da Ti, Samantha Shiraishi (@samegui) do blog A vida como a vida quer (@avidaquer) e Alexandre Inagaki (@inagaki) do blog Pensar Enlouquece. Sempre muito bom rever este pessoal!

Logo mais estarei em Florianópolis/SC para o evento Social Good Brasil, no qual conquistei esta vaga com um texto aqui mesmo no blog e fiquei muito feliz por isto!