Pessoal, este assunto anda me intrigando, é sobre a realização de um Suvivor (reality show) no Parque Estadual do Jalapão, sabe-se que o Jalapão é uma Área de Preservação Ambiental (APA) e este tipo de atividade é imprópria para o local e o governo está tratando esse caso com um sigilo imenso, não falam nada… e não permitem que ninguém fale nada.

CLIQUE AQUI e leia sobre o que ocorre lá e gostaria que fosse DIVULGADO POR FAVOR!!

PS: Pesso paciência quanto a leitura, sei que está grande … mas é necessário que seja DIVULGADO!

A imprensa anda procurando algumas pessoas envolvidas neste caso direta ou indiretamente (eu), e assim o Professor Geógrafo Lucio Flavo Marini Adorno (Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos e Avaliação Ambiental em Turismo Sustentável – NEATUS/UFT) respondeu da seguinte forma as indagações:

1. O Jalapão está preparado para receber esta estrutura?

De forma alguma, seja na dimensão ambiental, jurídica e social e turística.

Na dimensão ambiental esse volume de pessoas e com o perfil de uso e comportamento é altamente predatório ao patrimônio ambiental do Jalapão, sejam por impactos ecológicos diretos gerados ( poluição de solo e lençol freático por derramamento de óleo já ocorrido por decorrência do evento, uso indevido de répteis e animais para a competição e uso indevido de veículos nas Dunas) ou impactos indiretos na geração de uma imagem distorcida do valor da biodiversidade da região, veiculando uma percepção ambiental de uma terra selvagem (não é o mesmo que silvestre), bruta, inóspita e que precisa ser superada como uma natureza bárbara. É um retrocesso a construção da imagem de Pólo Ecoturístico que tanto dinheiro público já foi destinado em estudos e planejamento da região para tal, é um desrespeito a todas as pesquisas científicas que já foram desenvolvidas por várias instituições, a todas as iniciativas de conservação ambiental dos ecossistemas da região.

Juridicamente é um crime usar uma unidade de proteção integral, o Parque Estadual do Jalapão para veicular uma imagem medieval de “terra perigosa” quando se deveria servir a efetividade de manejo de “terra protegida”. É uma contravenção quando se sabe que essas terras não tiveram resolvida a questão primordial para a efetividade de proteção de suas espécies endêmicas e atrativos: a regularização fundiária… não se paga aos donos o valor justo daquelas terras mas se permite o apoio estatal a um interesse estrangeiro em detrimento de toda a legislação ambiental brasileira. O zoneamento ambiental do Parque Estadual do Jalapão está sendo jogado no lixo e os técnicos ficam de mãos atadas, a eles não lhe são dados meios e tampouco autonomia real de implementação do devido manejo e proteção ambiental.

Na dimensão social então é a legitimação da desordem. Os moradores ficam reféns de todo esse poder econômico daninho e ilusório e acham que isso é atividade turística tão almejada por todo o receptivo local. Alguns ganham agora, mas é insustentável e mais do que isso, é predatório aos seres humanos sobretudo de Mateiros, visto que já há indicadores claros de exploração econômica e sexual, uma violência a infância e juventude daquele município. O lucro “facil” de agora pode se convergir em prejuízos morais, religiosos, bem como de distribuição de renda dos recursos públicos a curto prazo diante do agravamento de problemas sociais, inclusive delitos estimulados por consumo de entorpecentes. O incentivo a realização de um evento como tal sem um devido ordenamento e policiamento de parte desses participantes que buscam aliciar as pessoas do local foi irresponsável e agrediu a todas as instâncias de governança como o Conselho Consultivo do Parque Estadual do Jalapão, o Fórum Estadual de Turismo, a Comissão de Implantação do Territorio do Jalapão, organizações não governamentais que tem carreado recursos , energia humana e técnica em prol do desenvolvimento sustentável das comunidades de quilombolas e em prol da conservação das cinco unidades de conservação lá criadas, bem como as diretrizes e programas governamentais que visam estabelecer um ordenamento e um uso sustentável da biodiversidade e da cultura local da região. Enfim é um “tiro-no-pé” no projeto de efetividade do Pólo Ecoturístico, é um agravamento de uma sangria que não foi curada desde o modo de criação do parque, é colocar um Jalapão deslumbrante por natureza numa condição ainda mais vulnerável enquanto Destino Turístico Indutor Nacional enquanto “produto em espécie ameaçada de extinção”.

Esperamos por outro lado que essa decisão, influenciada pela Secretaria Estadual de Indústria e Comercio sirva de lição governamental para não autorizar mais essas ingerências e (des)inteligências a um setor de que não tem competência para tanto. Meio Ambiente e Turismo no estado deve ser tratado e gerido por suas instâncias próprias e não por esse tipo de impulso.

2. Quais as condições que o Jalapão tem hoje para receber turistas?

Do ponto de vista dos meios de hospedagem existem onze pousadas entre os municípios que estão no roteiro turístico do Jalapão: Novo Acordo, São Félix, Mateiros e Ponte Alta do Tocantins. O problema já convencional é que se incentivou por muitos anos que o Jalapão é um destino de aventura para acampamentos e a não ser o da Korubo os que funcionam como tal estão entre precários a totalmente irregulares do ponto de análise sanitário e legal.
Isso gerou parte dos principais problemas ambientais sobretudo na área do Parque Estadual do Jalapão, diga-se especialmente na Cachoeira do Formiga, que continua sendo área particular. Pela falta de instalação de passarelas, de trilhas, decks, sanitários, ordenamento do fluxo da visitação, insuficiência de pessoal na orientação e fiscalização, as condições são muito limitadas. Para cada atrativo através de estudo científico estabelecemos a capacidade de carga e esse estudo foi entregue no início desse ano ao Naturatins. No geral as condições que o Jalapão tem ou não para receber turistas depende também do perfil desse visitante, se ele for para praticar atividades radicais com seus off-road ou para arrancar o que bem deseja da natureza local, isso vai implicar numa diferença nessa avaliação.

Por favor pessoal, me ajudem a divulgar, mandei para o Grupo Radar Verde e também postei no ALDEIA SUSTENTÁVEL, mas gostaria da ajuda de TODOS!
Este é um caso sério e não dá para ficar CALADO, sabe-se que o Deputado Estadual Marcelo Lelis entrou com uma ação na Câmara dos Deputados para tentar barrar a realização deste Suvivor, mas ele perdeu…

No mais nós temos TAMBÉM que ajudar!!

Daiane Santana

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

3 comentários em “

  • 2 de dezembro de 2008 em 0:07
    Permalink

    Bastante interessante. Patriotismo inteligente.

    O meu blog retratará isso tb, apesar de ser mais voltado para o bairrismo e com um foco maior na filosofia.

    http://sempitanga.blogspot.com

  • 3 de dezembro de 2008 em 1:13
    Permalink

    Ah, mas eu concordo plenamente.
    O que não se suprime hoje em dia em prol da satisfação de uma sociedade consumista, capitalista e alienada face aos problemas mundiais, né?! Absurdo. Pior que a terra é da gente – e não fazemos nada.
    Se fosse do vizinho, a gente apontava, criticava e dizia: “Se fosse aqui, eu, enquanto cidadao, nao deixava passar!”. E cá estamos nós, inertes.

  • Pingback:Vivo Verde » Parque é ameaçado de cair nas mãos de imobiliárias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.