Enfie o canudo dentro da sua empatia

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Esta semana (25) foi sancionado sem vetos pelo prefeito Bruno Covas o PL (projeto de lei) 99/2018, que proíbe a distribuição de canudos plásticos na capital paulista.

Com o objetivo de reduzir o impacto ambiental, o projeto veta o fornecimento de canudos plásticos a clientes de hotéis, restaurantes, bares e padarias, entre outros estabelecimentos comerciais. Também não será permitida a distribuição em clubes noturnos, salões de dança e eventos musicais. Como alternativa, o projeto menciona os canudos de papel reciclável, materiais comestíveis ou biodegradáveis, desde que embalados individualmente em envelopes fechados do mesmo material. Os estabelecimentos que não cumprirem a lei ficarão sujeitos à advertência, multa e mesmo fechamento.

Não vou tirar o mérito de que os canudos foram colocados como vilões, viraram até memes, mas tenho que admitir que são grandes potencializadores de poluição, principalmente contribuindo com a poluição dos mares, enchentes, aumento de volumes nos aterros sanitários, entre outros e também por conta de sua falta de necessidade em algumas atividades cotidianas. Mas algo me incomodou bastante ontem… Como esta proibição pode afetar na vida das pessoas que são PcD (Pessoas com Deficiência).

Na thread “linha” abaixo a ativista Marina Batista (@rodandopelavida), que é tetraplégica por doença degenerativa (atrofia muscular espinhal tipo 2), fala um pouco sobre a lei sancionada pelo prefeito Bruno Covas:

A tristeza real que esse assunto me dá… me faz um mal incrível de ler, imagina pensar que isso é só o mais claro exemplo de que o mundo não ouve o diferente. “É só um canudo”. Não é. É uma existência diversa negada e que de pouco em pouco vai sendo apagada.

https://t.co/PEwSZLrjy5 — Marina – Rodando Pela Vida (@rodandopelavida) 25 de junho de 2019

Em sua thread, ela ressalta a questão da empatia em relação às pessoas que tem a necessidade de usar expressamente os canudos. Assim que comecei a ler, pensei “e os canudos de inox e de outros materiais?”. Em uma resposta simples ela comenta sobre o quanto estes outros materiais podem machucar, ou o quanto “parecem maleáveis para quem tem força na musculatura facial, mas são mais rígidos que os de plástico. Para quem faz uso de pressão no lábio ou dentes para prender e sugar faz diferença não só no posicionamento como força gasta pra sucção”.

É você parar para pensar que algumas pessoas realmente não terão como usar estas inovações que estão sendo apresentadas atualmente para os canudos, mas que também estamos falando de um grupo de pessoas específicas, que precisam de respeito e necessitam do máximo de independência possível.

Creio que a proibição foi um primeiro passo, iniciou uma discussão em relação da necessidade do uso real dos canudos, eu mesma achava que era algo totalmente dispensável, considerando que tenho o meu de inox e tomo normalmente em copos, mas… Empaticamente falando, não é bem assim, e a lei precisa se adequar a isto. Até mesmo na forma que será abordado ao PcD que o solicitar no estabelecimento, pois pode gerar desconforto.

Não há uma relação do impacto na vida dessas pessoas, no impacto na vida marinha e no impacto na sociedade no geral ainda (especificamente falando do canudo), mas creio que é menor em relação às pessoas que realmente necessitam do uso do canudo plástico.

Um ponto sensível que é mencionado, é a discriminação que é causado por conta deste banimento. Eu entendo este ponto, mas creio que a educação brasileira precisa de certos “empurrões” para ser melhor gerenciado, creio ainda que chegaremos em um patamar em que a inclusão será gerida não apenas nesta questão, mas em várias outras.

Que tal não banir, deixar que os espaços sejam inclusivos? Pq as experiências de outros países já demonstraram que deixar exceção para PcD apenas tem causado diversas situações de discriminação e constrangimento já que existem condições e deficiências que não são visíveis?

Marina – Rodando Pela Vida (@rodandopelavida) 26 de junho de 2019

Bom, estamos aqui para tentar melhorar esta situação de educação ambiental do brasileiro. Temos agora o canudo como pauta, porém, ainda temos vários outros obstáculos a seguir, como as bitucas, os lacres e tampinhas de latinha, a proliferação de garrafas de livro do tipo long necks em unidades de conservação e outras regiões… Ou seja, enquanto a educação ambiental não for um pilar educacional de base, vamos proibindo várias coisas (sem considerar a empatia vinculadas a elas) até que cheguemos no mínimo de importância com o meio em que vivemos.

E você? Parou para pensar nos PcDs quando viu esta proibição? O que você faz em relação ao uso dos canudos? Me conta aí nos comentários! 

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

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