Onças atacam rebanho

topoonca

Por Giovanni Salera*

A predação de gado por onças-pintadas (Panthera onca) e onças-pardas (Puma concolor) sempre foi motivo de muita polêmica entre agropecuaristas e ambientalistas.

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O Brasil é um país agrário por vocação, pois é dotado de extenso território, ótimo clima e condições de solo favoráveis para a agricultura e pecuária. Isso é tão verdade que atualmente nosso país é um expressivo produtor de grãos e cereais e é detentor do maior rebanho global de gado bovino criado para comercialização.
Nas últimas décadas o rebanho brasileiro tem crescido vertiginosamente, chegando recentemente a ocupar muitas áreas onde até pouco tempo atrás a natureza está praticamente intacta.
Muitos agricultores e pecuaristas migraram das regiões Sul e Sudeste para o Pantanal e a Amazônia, transformando a floresta em áreas de pastagem e de cultivo. Assim, nessas localidades em que os hábitats naturais e as presas das onças foram reduzidas é comum o ataque aos rebanhos. Na verdade, podemos dizer que na mesma medida em que o rebanho vem crescendo tem aumentado também o ataque das onças.
Em geral, quando um fazendeiro começa a sofrer perdas em seu rebanho ele logo coloca a cabeça da onça a prêmio, estimulando a caça ilegal.
Os empresários do agronegócio gostam de dizer com muito orgulho o quanto seu labor contribui para a economia nacional. E, não é raro, entrarem em conflito com ecologistas que criticam essas atividades produtivas dizendo que o modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio é predatório e danoso ao meio ambiente.
De acordo com o Instituto Pró-Carnívoros, a perda de hábitats e o contato próximo com animais domésticos podem causar uma convivência forçada entre onças com animais domésticos e, consequentemente, o uso destes como presas. Para solucionar tal problema, eles recomendam que os fazendeiros tomem algumas medidas para evitar o ataque das onças, como por exemplo: cercando a propriedade com telas bem resistentes; instalando cercas elétricas; e fazendo o manejo do gado (recolhendo os animais no período da noite para dentro dos currais e/ou para próximo das sedes das fazendas, mantendo a vigilância com cães para afugentar os predadores).
Além disso, os ecologistas também defendem a criação de áreas especiais amplas e em diversos biomas para garantir a conservação das onças – que são considerados os maiores predadores terrestres do Brasil.
Outras propostas para solucionar esse problema são: a reintrodução de animais silvestres (caititus, veados, capivaras etc.) que são presas naturais das onças e tiveram suas populações reduzidas, forçando as onças a atacarem os rebanhos; e a captura e translocação de onças consideradas problemáticas.
Por outro lado, os agropecuaristas argumentam que na realidade é inviável a tomada das medidas sugeridas. Argumentam que tudo isso é oneroso e pode afetar o valor de mercado do gado. Em termos práticos é mais barato pagar para um caçador abater uma onça do que a tomada de medidas ecologicamente corretas. Ademais, um fator que reforça a caça desses animais é a idéia de impunidade, pois são raros os casos em que a fiscalização do IBAMA tenha punido um caçador de onças.
Até o presente não existem muitos exemplos no Brasil que sejam bem sucedidos em mostrar uma harmonia entre a criação de rebanhos e a conservação das onças.
Assim, infelizmente, o que se vê de modo geral é um imenso ringue tendo de um lado aqueles que preferem os bois, as ovelhas e as cabras em oposição aos ambientalistas que valorizam a proteção desses grandes felinos. E, é verdade que enquanto essa situação de conflito não mudar uma coisa é certa: a população de onças irá reduzir cada vez mais !!!

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Giovanni Salera Júnior – Eu já o conhecia aqui de Palmas/TO na minha época de quelôneos, um cara fantástico que resolveu se integrar ao VivoVerde e desde já eu agradeço a sua vinda, será de grande valia. Ele é Mestre em Ciências do Ambiente e Especialista em Direito Ambiental. Atualmente é Analista Ambiental do Governo Federal.
Maiores informações em: Recanto das letras
Curriculum Vitae: Lattes

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

5 comentários em “Onças atacam rebanho

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  • 26 de fevereiro de 2010 em 17:59
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    É mais prático substituir um animal, que a onça comeu, na fazenda , do que eliminá-la. “Nada justifica matá-las” . Em Mato Grosso, os fazendeiros já estão mais educados: Uma grande maioria deles, preferem deixar as onças comerem o gado. O prejuízo não é lá tão grande assim. O principal culpado é o próprio homem que caça os animais que serviriam de alimento delas. Contratar Deputado para matar onça não é o caminho correto.

  • 27 de fevereiro de 2010 em 10:16
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    Éh! Tem um deputado estadual tocantinense que é especialista em abater esse tipo de felino!! O nobre deputado está entre os que preferem os bois à preservação das espécie felinas em estinção. Ele é exibicionista, possui arma de fogo de grosso calibre e costuma desafiar as autoridades ambientalistas colocando suas façanha criminosas no youtube. Esse é Brasil…

  • 20 de novembro de 2010 em 18:22
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    FABRICAMOS EQUIPAMENTOS PARA ESPANTAR PÁSSAROS E ANIMAIS SILVESTRES E TEMOS ALGUNS EQUIPAMENTOS EMPREGADOS PARA ESPANTAR ONÇAS QUE ATACAVAM GADO NO MATO GROSSO. UM DOS NOSSOS CLIENTES É SENADOR DA REPÚBLICA. NOSSO EQUIPAMENTO É DE AÇÃO NÃO LETAL COM UMA ALTA RELAÇÃO CUSTO BENEFÍCIO COMPARADO COM OS GASTOS COM FOGOS DE ARTIFÍCIOS E/OU OS RISCOS DE AÇÕES TRABALHISTAS POR TER TRABALHADORES EMPREGANDO ARTEFATOS COMPÓLVORA.

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