Pré-sal pode fazer do Brasil potência petrolífera?

Por @heldersantos

Efeitos na economia serão sentidos daqui a cinco anos, mas alguns setores já começam a crescer para atender à demanda da produção de petróleo.

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Descoberto numa época de otimismo, em que o Brasil finalmente se vira livre dos “vôos de galinha” e deixara de ser devedor para tornar-se credor do FMI, o pré-sal agora faria com que o país se tornasse também um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

As reservas encontradas entre os Estados de Espírito Santo e Santa Catarina podem fazer com que a produção atual de petróleo do Brasil, que é de cerca de 1,59 milhões de barris por dia, salte para o patamar de aproximadamente 3 milhões de barris/dia, o que nos colocaria entre os maiores produtores de petróleo do mundo, tornando o Brasil uma “petropotência”. “Isso [a exploração do pré-sal] nos colocaria atrás de, respectivamente, Arábia Saudita, Rússia, EUA, Irã, México e China”, afirma o economista Pablo Quirino. Spencer Toth, representante jovem da regional de São Paulo do PSDB, alerta. “A expectativa da União tem sempre que ser vista politicamente. Os porta-vozes sabem que boas notícias animam os mercados e produzem euforia econômica, incentivando, inclusive, o investimento de capital estrangeiro no país”. Mesmo assim, ele se mantém otimista. “Creio que seja cedo para opinar acerca da posição do Brasil nesse cenário, mas, certamente, se as projeções estiverem corretas, o país chegará entre as 10 principais potências produtoras”.

As explorações ainda não começaram mas alguns setores da economia já podem sentir os efeitos da demanda do pré-sal. A indústria naval já está se preparando e o parque industrial também sentirá pressão. “Como somos orientados a utilizar fornecedores nacionais, a economia nacional será aquecida rapidamente, pois o parque industrial precisa se desenvolver de forma relâmpago e a mão-de-obra precisa se qualificar”, explica Cibele Izidório, cientista social da Petrobrás.

Os setores que não são envolvidos diretamente com a extração e produção de petróleo vão demorar um pouco mais para sentir os benefícios. Economistas estimam que a elevação do PIB começará a ser sentida a médio prazo, daqui a 5 anos. Thomas Toth Sydow, economista formado pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita numa evolução lenta e gradual. “Eu não acho que o Brasil terá uma virada tão grande quanto dizem e sim uma elevação num médio prazo, que vai se sustentar a longo prazo”, defende. Ele ainda diz que a geração de empregos será pontual. “Os empregos vão aumentar muito na área petrolífera e nas indústrias de aço, tinta, borracha, plástico e outros derivados, que têm ligação direta com o petróleo”.

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Já o economista Pablo Quirino acredita que o surgimento de uma nova demanda de produção aumentará a geração de empregos. “Serão gerados empregos indiretos, principalmente na área de construção civil e na de prestação de serviços, para atender à demanda que surgirá com esses novos pólos de produção e processamento”. Spencer também acredita que a exploração beneficiará toda a sociedade, numa espécie de efeito dominó. “Toda vez que um segmento econômico sofre um avanço, há uma reação em cadeia, quando se fala em geração de empregos”, explica. “Com mais petróleo e geração de empregos bem remunerados nesse setor, os trabalhadores passam a consumir mais, aumentando a demanda e forçando a abertura de mais postos de trabalho”, completa.

DISPUTA DOS ROYALTIES

Como nem tudo é festa, problemas foram surgindo ao longo do percurso, que pelo visto será sinuoso: além do grande risco ambiental em caso de vazamento de petróleo em águas profundas, há também a polêmica das partilhas de royalties.

O problema se dá porque as regras atuais da exploração de petróleo beneficiam os Estados produtores, como o Rio de Janeiro. “Atualmente, do máximo de 10% de royalties que pode ser cobrado na produção de petróleo, 40% é destinado à União, 22,5% vai para os estados produtores e 22,5% para municípios produtores”, explica Quirino. “Apenas 7,5% vão para os municípios afetados pela produção e os outros 7,5% para um fundo especial, que redistribui os recursos entre todos os estados e municípios” conclui. Como a reserva do pré-sal é imensa e de qualidade muito superior ao petróleo extraído hoje em dia, Estados mais pobres que não estão envolvidos com a exploração do óleo, como os do Nordeste, fazem pressão para uma divisão de lucros mais igualitária, a fim de promover igualdade social.  “A discussão tributária e a de royalties é muito complexa. Por ser produtor, o Rio de Janeiro acredita que teria direito a maior fatia do bolo, enquanto o restante do país luta por igualdade. Já a Constituição Federal aponta que o subsolo e seus minerais pertencem à União. Em primeira análise, creio que direitos da União devem prevalecer sobre os das cidades”, defende Spencer Toth Sydow, representante do PSDB.

Apesar das tensões, o governo e a Petrobrás ainda não decidiram como se dará a partilha dos royalties. Cibele Izidorio Vieira, cientista social da Petrobrás, afirma que esta definição dependerá do novo marco regulatório, que ainda está sendo discutido no Senado.

Outra questão polêmica em torno do pré-sal é a ambiental. Daiane Santana, engenheira ambiental, avisa que não há como extrair o pré-sal sem causar impactos ambientais. “Pensar em explorar alguma coisa e não gerar impacto ambiental é até utópico. Vejo que os impactos ambientais da extração podem ser mínimos, mas nunca inexistentes, se formos pensar no médio e longo prazo”.

Outra preocupação dos ambientalistas é de que a exploração do pré-sal tirará o foco do Brasil das pesquisas de fontes alternativas de energia, como o biodiesel e outras energias verdes. Sobre isso, Cibele tranqüiliza: “A Petrobras tem um órgão que chama SMS: Segurança, Saúde e Meio Ambiente, e tem investido muito nessas áreas nos últimos anos. O Brasil investe em pesquisa na área de biocombustíveis, principalmente via Petrobrás, e isso continuará acontecendo”.

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Trabalho de faculdade de @pixoxo, @heldersantos , @josijoveli e entrevista comigo (@VivoVerde).

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

8 comentários em “Pré-sal pode fazer do Brasil potência petrolífera?

  • Pingback:EcoZilla

  • 18 de dezembro de 2009 em 20:48
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    Esse negócio de Pré-Sal ainda me parace mais propaganda eleitorial do que qualquer outra coisa…

  • 25 de dezembro de 2009 em 10:31
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    0

  • 10 de janeiro de 2010 em 1:39
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    Não adianta chorar que seja propaganda eleitoral ou que isso vá dar em nada por causa das fontes energéticas alternativas. A questão é: os insumos agrícolas (e isso não depende do PT ou PSDB) dependem de derivados do petróleo. Logo, onde há agricultura e fome (gente) haverá quem dependa do ouro negro e seus derivados.

  • 18 de fevereiro de 2010 em 17:30
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    Espero q não seja mais uma jogada do governo para aumentar o combustível q já eh um abissurdo e elevar o custo interno no paiz deixando muitos desempregado, já está acontecendo com o Alcool, quem mudou para o carro flex, pagou mais caro para hoje abastecer só a gasolina, infelizmente apesar de tudo até agora em acreditar nos lideres de nosso paíz.

  • 11 de abril de 2010 em 22:59
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    Pré-sal é o mote que arrumaram para (em conjunto com o malogrado PAC) dar uma maquiagem na fraude chamada “Dilma”, que se avizinha.

  • 24 de abril de 2010 em 22:24
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    Acho que já está na hora desse povo arrumar uma coisa melhor pra fazer do que ficar furando o solo do fundo do mar. Acho que eles deviam parar de ficar explorando a natureza dessa forma e arrumar meios de transformar o lixo em energia e combustível. (Se é pra querer uma coisa difícil…)E, se podem furar 6 mil metros atrás do precioso petróleo, podem descobrir meios melhores de reutilização que não prejudicam o planeta, podem despoluir o ar de São Paulo e o rio Tietê…

  • 30 de janeiro de 2011 em 1:03
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    Se:
    Os cientistas preveem que 10 a 15 anos é o prazo para substituir o combustível fóssil.
    Se
    Ja existe um veiculo movido a ar; na prática troca-se o tanque de combustível pelo compressor de ar; gerando explosão dos pistões via AR.
    Se
    Ja existe um protótipo taxi rodando na França velocidade até 150 km/hora, autonomia de 300 Km, zero emissão de gazes tóxicos e 20% é puro óxigênio lançado na atmosfera.
    Se
    O desastre do golfo e do Alaska estão complicados até quase impossíveis a 2.000 metros de profundidade.

    Então:
    Estamos investindo no presente para o futuro, em uma tecnologia do passado.
    Então
    Quando tivermos o ouro negro, será só para sujar nossas mãos. A 5.000 metros que é o caso do Brasil, poderá ser a besteira derradeira da humanidade.
    Então
    Eleitoreiro, inconsequente e irresponsável. Ainda a saber que o custo do barril pré sal é praticamente o mesmo, do petróleo pronto dos árabes; que a cavarem raso ja acham a tal porcaria do petóleo; ainda vivo porque a economia mundial gira em torno dessa sugeira.
    Como vamos conseguir brecar esta trapalhada????

    Ai vai meu versinho:

    Ó meu Brasil querido, o petróleo agora é nosso.
    Pobre planeta ferido, queria parar e não posso.

    De todo coração, orgulho da nossa querida patria amada.
    Pedir o perdão. Por conta dessa fria e literal roubada.

    Bateremos bravos e forte no peito, gritaremos alto, com toda força de um patriota.
    E naquilo que não terá mais jeito, enganaremos a nós mesmos como faz um idióta.

    Que aos nossos olhos, o futuro vai brilhar.
    Mais uma nova tragédia. A vida pode acabar.

    Luz no fim do túnel é a verdade que nos fazem ver. Veremos uma triste cruel realidade a nos acontecer.

    Pré Sal:

    Brilha uma luz no fim do túnel, é forte e é viva.
    Avancemos para ela, encontraremos uma locomotiva.

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