Em Angra dos Reis e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, milícia incentiva e explora pesca predatória do camarão rosa

Por Mônica Nunes

Em Angra dos Reis e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, milícia incentiva e explora pesca predatória do camarão rosa
Foto: Clongwh/Pixabay

Depois que Bolsonaro divulgou, com orgulho, não pagar multa ambiental por ter pescado numa estação ecológica em Angra dos Reis, quando era deputado, e exonerar o fiscal do Ibama que aplicou a multa, pouco depois de assumir a presidência, legitimou ainda mais qualquer infração ambiental, seja em alto mar ou não. O afrouxamento da legislação ambiental implantado por seu governo, sob a direção de Ricardo Salles(ministro do meio ambiente, condenado pela Justiça paulista), só veio reforçar suas atitudes irresponsáveis e, assim, fica fácil entender porque a bandidagem está cada vez mais ousada, como revela a notícia publicada ontem no site do jornal carioca Extra.

milícia atua no mar, também! E explora quem pesca sem licença ou fora do período autorizado. O jornal a chama de milícia marítima, que não se atém apenas a cobrar taxas para garantir a pesca de quem não tem o Registro Geral de Atividade Pesqueira ou para aliviar a situação de quem é flagrado pescando durante o defeso, que é o período considerado proibido pelas instituições de controle, para evitar a pesca predatória.

Em duas áreas da Costa Verde – a Baía da Ilha Grande e o mar de Angra dos Reis – a milícia mantém uma frota composta por 20 barcos irregulares, de acordo com pescadores e uma fonte que participa da fiscalização na região. Os donos dessas embarcações prestam serviços para os paramilitares e, nos últimos três meses (maio incluído), se dedicaram à pesca de camarão rosa, que está proibida nesta época para garantir a reprodução.

Imagem de 老師 黃 por Pixabay

O preço médio do quilo dessa espécie de camarão que já é alto, nesta época de proibição aumenta, claro! Chega a cem reais, o que resulta num lucro de R$ 60 mil por embarcação (no período) ou cerca de 1,2 milhão no total.

De acordo com a reportagem, essa prática não é desconhecida do Ibama, órgão encarregado da fiscalização contra a pesca predatória. Já foi denunciado oficialmente pela Secretaria da Agricultura, Aquicultura e Pesca de Angra dos Reis. Por isso, é inacreditável que a bandidagem prossiga.

O secretário Wagner Robson Meira contou que, logo no inicio do defeso, em março, se reuniu com 30 representantes de pescadores e o Ibama. “Os próprios pescadores reclamaram da presença de barcos irregulares pescando no defeso. O camarão rosa tem um valor comercial alto. Aqui, em Angra, são pescados de junho a fevereiro, cerca de cem toneladas do crustáceo. Nosso calculo é que pescadores de uma embarcação média lucrem, por mês, cerca de R$ 10 mil a R$ 20 mil, com a venda deste tipo de camarão. Da nossa parte, fazemos conscientização dos pescadores legais para a importância do defeso. Mas a fiscalização não é de nossa competência”.

Um desses pescadores citados pelo secretário, que pediu ao jornal para não ser identificado, confirmou a frequência cada vez maior da milícia nas águas de Angra e Ilha Grande. E se queixou: “Nós respeitamos o defeso, mas os barcos da milícia aparecem e pescam à vontade com rede de arrasto. Matam desde camarão rosa até peixe miúdo. Pescam, mais ou menos, uns 300 quilos de camarão por noite. No defeso, é fácil encontrar eles por aqui. A coisa é perigosa”.

A assessoria do Ibama garante que a fiscalização na região aumentou e que as operações de combate à pesca ilegal no litoral fluminense superam o total de autuações do ano passado. Também garante que o volume de pescado e o número de barcos apreendidos também superam os dados de 2016.

Ao mesmo tempo em queafirmou desconhecer a presença de barcos da milícia nos mares de Angra e da Ilha Grande, talvez por não ser de sua competência legal, a Marinha do Brasil contou que mantém parceria com a Polícia Federal e o Ibama, e que está desenvolvendo sistema de gerenciamento da Amazônia Azul, faixa ao longo da costa brasileira, que totaliza 4,5 milhões de km2. Vale destacar que um modelo menos ambicioso desse sistema foi utilizado na segurança da costa durante os Jogos Olímpicos de 2016 .

Claro que a fiscalização tem que ser forte e o Ibama, a Polícia Federal e a Marinha precisam se unir para combater esse crime, mas, se o consumidor fosse mais bem informado e consciente, e se recusasse a comprar camarão rosa no período de defeso, esses bandidos não teriam para quem vender e a prática ilegal acabaria. Estou sonhando? Não! Ainda creio que essa seja uma realidade possível no futuro. Enquanto isso, seguimos denunciando….

Fonte: Nosso Planeta

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

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