Meus devaneios sobre o comportamento ambiental humano, durante o feriado de carnaval…

Uma análise do quanto às pessoas no campo são bem mais preocupadas com o meio ambiente, o reaproveitamento/reutilização de resíduos, a preservação do meio, a presença de agrotóxicos nos pastos até mesmo a dura realidade de quem (eu) não tem absorventes próximo e tem que se ver “obrigado” a utilizar dos famosos “paninhos” e até um questionamento, “quem preserva mais o meio ambiente? O homem ou a mulher?” Vai lendo…

Pensei por um bom tempo (dias) para ver se eu postava ou não esta matéria, enfim, pelo o visto cá estou eu, me encorajando…

O fato é que no final de semana e feriado de carnaval, fui para o sítio dos meus pais, lá pude perceber algumas atitudes ambientais que me fizeram refletir, até mesmo porque, lá eu só pude comer, comer, comer e dormi (rs, vida difícil)!

Uma das primeiras coisas que me observei foi o fato de que às pessoas que moram nos sítios/fazenda/roça reaproveitam mais os materiais, os resíduos sólidos, o que poderia ser considerado como lixo para alguns. Pude visitar a casa de algumas pessoas, o que vi foi justamente isto, vasilhames plásticos de amaciantes cortados ao meio e ajustados na parede para se colocar escovas de dente e pastas de dente, potes de doces que são utilizados como canecas (algumas até com cabos feitos de outros potes de alumínio), sempre muito bem feitas, formas de queijos de canos PVC que restaram… Bom a reutilização é a característica mais forte que encontrei. Uma outra que observei são os resíduos gerados, nas propriedades que fui (e no sítio do meu pai também), é incinerado o resíduo gerado (todos eles), havia uma “cava” de uns 40 a 50 centímetros de profundidade, onde o lixo era depositado e queimado, não diáriamente.

Na alimentação, boa parte era feita no fogão a lenha, a madeira era retirada de galhos de árvores que saíam próximo a casa, nada de derrubar árvores não (meu pai, coitado, até caiu e se machucou, indo atrás de lenha, mas está bem bom agora, rs).

Em uma propriedade que visitei foi nítida a “engenharia” empregada dos diques de água (canais que levam a água para dentro das residências), considero que é bem bonito (de se ver), mas observando com Engenheira Ambiental e trabalhando justamente nesta área, é meio preocupante, afinal, são obras hidráulicas passíveis de outorga (licenciamento ambiental de direito de uso da água), no qual se caracteriza como uso doméstico de captação superficial e com geração de efluente, e pelo o que bem conheço, penas propriedades acabam nem se regularizando por causa da quantia (geralmente é caro) e principalmente pelo trâmite ser bem complicado na maioria das vezes.

A preservação do meio é questionada constantimente quando se fala sobre isto com os moradores, é real a preocupação e é percebido que é passado de gerações em gerações, afinal ali é a morada deles, é interessante ver o quanto tem que se doar a natureza quando se mora e tem um contato maior, via o meu tio acordar bem cedo para ir roçar (capinar os matos e ervas daninhas que se forma no pasto).  Presenciei como é diferente a visão das pessoas, uns roçam (no braço) para retirada de ervas daninhas, outros jogam veneno para matar as mesmas ervas daninhas de se proliferar, é complicado questionar algo deste foco quando não se sabe o que é acordar cedo e ir para o pasto roçar o dia todo no sol bem quente do meio dia!

Um fato “diferente” que eu gostaria de compartilhar (com um pouco de vergonha) com vocês, mas acho bem válido e que aconteceu comigo, foi que… menstruei e fui pega “meio que de surpresa” esperava para que “chegasse” um dia e chegou no dia anterior, nesta presepada toda levei apenas 1 (um) absorvente e não tive escolha… Me lembrava bem que minha mãe contava que  antigamente usava-se o famoso “paninho” e não tive escolha, como iria viajar na tarde daquele dia, foi o jeito ter que experimentar o tal paninho…

Peguei um pano (retalho mesmo) de uns 30 centímetros de comprimento por 18 centímetros de largura, dobrei ao meio e depois mais 2 dobras, ficou bem parecido com um absorvente que conhecemos. Minha preocupação era com o vazamento, o que não ocorreu, porém, coloquei á umas 8 da manhã e só fui retirar às 13 horas, quando já fui tomar meu banho para pegar o ônibus e utilizei do absorvente industrial mesmo. Foram de 4 a 5 horas com ele, se lembrarmos (papo de mulher agora) que no início a menstruação não vem em grande quantidade… confesso que não foi incômodo, não achei nojento (como muitas poderiam pensar) e ao final, como eu não iria mais utilizar daquele paninho mais eu joguei fora no cesto de lixo, afinal, lá tudo é incinerado mesmo!
Mas, segundo relatos de minha mãe, os paninhos eram lavadores e reutilizados, confesso que não veria problemas em lavar o meu paninho não!

Agora, considero que não seja um ato que vou continuar praticando, considero que para ser mais ecológica eu preferia ganhar (afinal é caro) um copinho de menstruar!! Olá greenvana .o/

~~ Esta era a parte que fiquei pensando BEM se escrevia aqui, ou não!  (rs)

Uma questão que fiquei pensando lá mesmo foi a de que, será que os homens (do sexo masculino) preservam mais o meio ambiente que às mulheres (em suas residências)?

Tipo, pensei isto pelo fato das mulheres (no geral, um fato é que homens também cuidam da casa…) serem mais ligadas aos deveres de casa, no caso de utilizarem mais da água, lavando roupas, louças, limpando a casa… Neste caso as mulheres teriam que ter um pensamento (educação ambiental) bem mais apurado que o dos homens, que geralmente não tem estes “deveres”. entendam, não estou querendo ser machista/chata nem nada, isto foi o que observei em algumas casas, estou na verdade colocando um caso para análise, claro que vão ter residências que o que ocorre é totalmente o contrário, mas se considerarmos uns 20 ou 30 aanos atrás (o que não é muito tempo) era isto que ocorria, bom, acho que isto é algo que eu poderia falar com mais calma e até mesmo, depois de ler o que vocês tem a falar sobre o assunto, é claro.

Enfim, estas foram minhas observações que acabei tendo no meu feriado de carnaval, creio que bem diferente do que a maioria pensou durante este mesmo tempo (rs).

 

 

 

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

3 comentários em “Meus devaneios sobre o comportamento ambiental humano, durante o feriado de carnaval…

  • 25 de fevereiro de 2012 em 22:45
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    É verdade, em diversos sítios é comum encontrarmos reaproveitamento de materiais, até mesmo, em casas de grande porte. Acredito que isso se explica não exigência de modernidade no leito rural. Uma vez que somos obrigados a renovar tudo que usamos na cidade pela a questão de consumo.

  • 4 de março de 2012 em 21:01
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    Na zona rural acontece mesmo isso. Quem não pode trazer o lixo para ser recolhido na cidade, incinera-o, pois não tem como descartá-lo corretamente. Como esse pessoal mora em contato maior com a natureza, eles tem a noção de que ela deve ser preservada. Podem nem conhecer todo o processo teórico da degradação, mas sabem que aquilo faz mal e ponto, não fazem!

  • 5 de novembro de 2012 em 5:39
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    Túlio, foi justamente isto que observei, dias atrás eu tive que fazer umas vistorias em algumas propriedades rurais e novamente foi o que vi, mas também vi pessoas que estavam incinerando ao relento, sem nenhum tipo de controle… Como os sítios eram bem próximos da cidade, foi repassado que eles viessem a cidade para o descarte, mas não é fácil ainda, mesmo considerando que o ambiente rural ainda é bem consciente!

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