Desenvolvimento do mercado de Crédito de Carbono

white smoke coming out from a building
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O desenvolvimento econômico no mundo pós-Covid e a proteção do meio ambiente são dois temas de extrema relevância, que geram uma necessidade de uma visão mais sustentável nas propostas de resgate da economia. Em paralelo à crise na saúde e na economia, o Brasil vem passando por um dos seus piores momentos em relação à preservação da Amazônia, com aumento dos desmatamentos, além de uma preocupação crescente com as mudanças climáticas.

Com a pandemia, houve uma diminuição das emissões de gases de efeito estufa no mundo: 1 bilhão de toneladas de gás carbônico a menos na atmosfera. Mas este número não se sustentará após a retomada de todas as atividades como eram antes, e o Brasil vai na contramão desta diminuição registrada, com um número maior de emissões por conta do crescente desmatamento: as emissões de GEE no Brasil podem subir entre 10% e 20% neste ano, de acordo com estudo feito pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil, do Observatório do Clima. O forte aumento do desmatamento na Amazônia neste ano tende a compensar a queda esperada das emissões no setor de energia e na atividade industrial.

O que faz parecer distante o objetivo central do Acordo de Paris (de manter o aumento na temperatura média da Terra na faixa de 1,5°C a 2°C acima dos níveis pré-industriais), já que as emissões de gases de efeito estufa estão entre os maiores causadores do aquecimento global.

É necessário pensar em medidas que façam a retomada da economia ser mais sustentável. Uma das iniciativas para gerar impacto na economia e tornar a atividade poluidora e de desmatamento mais cara é o mercado de crédito de carbono. Quanto mais créditos forem negociados, mais caro eles ficam e mais cara fica a atividade poluidora e/ou de desmatamento. Isso exigirá uma mudança de postura das empresas e irá proporcionar mais dinheiro para os projetos que atuam na preservação do meio ambiente. O setor de crédito de carbono tem um grande potencial no Brasil, país que possui 40% das florestas tropicais do mundo e que poderia certificar 1,5 bilhão de créditos por ano, ou o equivalente a US$ 60 bilhões de fluxo para projetos ambientais, de acordo com a gestora global Schroders. Com isso, o PIB do Brasil cresceria 5%.

A maior gestora de fundos do mundo, a Black Rock, já se posicionou este ano que a preocupação com as alterações climáticas são o centro da sua estratégia de investimento. Em maio, os governos de todo o mundo receberam uma carta dos líderes da organização The Investor Agenda, com recomendações para uma recuperação sustentável após a pandemia da Covid-19,  para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e para alcançarmos a meta do Acordo de Paris. Alguns recentes projetos de lei no Brasil (como a PL 572/2020) também abordam o tema, buscando novas iniciativas de estímulo ao mercado de carbono.

Neste cenário, há no Brasil uma iniciativa inédita para ajudar a combater as mudanças climáticas, preservar a Amazônia e desenvolver a economia do país via investimentos em crédito de carbono, democratizando a compra e a venda destes créditos, tornando o assunto mais descomplicado e acessível, e gerando maiores valores para os projetos ambientais (já que representam um investimento para quem compra, não doação). Com isso, a startup MOSS ajuda a proteger o equivalente a 1 milhão de campos de futebol de Floresta Amazônica por meio de seus projetos parceiros, dos quais compra os créditos e revende. Além de possibilitar  investimentos em escolas e gerar empregos nas comunidades na Amazônia.

Um dos projetos que já foram beneficiados pelo crédito de carbono está a Fortaleza do Ituxi, no Sul da Amazônia, que protegeu do desmatamento, com os créditos comprados pela MOSS, uma área de 150 mil hectares e ajudou a comunidade local que depende da floresta, tirando seu sustento da coleta de açaí e castanhas, por exemplo.

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do Portal VivoVerde, nascida e residente de Minaçu/GO e há 12 anos escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduada em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultor, ministra treinamentos nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @VivoVerde | Instagram: @DaianeVV | 063999990294

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