Mudanças na produção cervejeira

A lei nº 8.918 que dispõe sobre a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas no país sofrerá mudanças após publicação do Decreto 9.902 de 8 de julho de 2019. Essas mudanças trazem uma nova identidade da cerveja, além de mudanças na qualidade e classificação da mesma. 

Atualmente, a lei limita a 45% o uso de cereais não maltados na produção de cerveja, seja ele o arroz, milho, entre outros. No geral, esses adjuntos cervejeiros não são encontrados em cervejas artesanais, mas bastante usados nas mais populares para baratear o custo. O uso de produtos de origem animal acarreta a classificação de bebida mista em rótulos com adição de mel, leite e lactobacilos. Com o novo decreto, essas bebidas poderão ser classificadas como cerveja, permitindo assim uma mudança importante na criação de receitas e inovação de cervejas artesanais. 

Cerveja APPIA, cervejaria Colorado, com adição de mel. Fonte: divulgação

Porém, existem lacunas no decreto, como a nova porcentagem para uso de cereais não maltados, que antes seria de 45%. No novo decreto, esses adjuntos podem substituir uma parte dos cereais maltados, mas não se fala em quantidade permitida. 

Na internet, muitos cervejeiros não ficaram satisfeitos com essa novidade, já que segundo essa galera, a quantidade de adjuntos cervejeiros pode afetar na qualidade da cerveja. Mas em uma entrevista para a revista Exame, o presidente a Abracerva diz que o decreto é genérico, e esses limites serão revistos pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Foi liberado ao ministério o poder de editar a Instrução Normativa (IN), dando a possibilidade de alterar seu texto, podendo assim ser diferente do decreto.

A publicação da IN é aguardada pelos consumidores, que esperam que limites dos cereais não maltados sejam reduzidos. Esses limites comprometem principalmente os consumidores das cervejas populares, que com essa liberação, podem vir com uma quantidade alta de adjuntos para baratear o custo. Mesmo que ser puro malte nem sempre seja sinônimo de cerveja boa, cabe ao MAPA proteger de alguma forma o uso excessivo de cereais não maltados.

Hilana Barsih

Bacharel em Ciências contábeis pela Universidade Federal do Tocantins, mergulhou no universo cervejeiro em 2013. Apreciadora de cervejas bastante lupuladas e escuras, e entusiasta das cervejas nacionais, atualmente é diretora de marketing da Associação de cervejeiros artesanais do Tocantins, a Acerva tocantinense. Contato: E-mail - cerveja@vivoverde.com.br | Twitter: @nanabarsih

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