Mudanças climáticas e sequestro de carbono

Nesta última quarta feira (02/09) ocorreu em Palmas/TO o III Simpósio “Amazônia: Desenvolvimento Sustentável e Mudanças Climáticas”, logo me interessei pelo tema e fui ao evento. Teve um atraso que ocorre normalmente nestes tipos de eventos, foi apresentado no Auditório do SENAC, o público foi seleto, digo isto por conhecer as pessoas desta área aqui na cidade e o número de pessoas até me surpreendeu por ter ocorrido durante a semana e no período da tarde. Foram quatro palestras, mas aqui no site (o @diegorsr pede que eu fale assim, além de Blog.. rs) vou apresentar apenas três, no qual eu vou discuti-los mas um deles vou apenas apresentar uma sequência de vídeos que explica bem o que foi apresentado e também passaram lá.

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Na cerimonia de abertura, compôs a mesa representantes de entidades ambientais do Estado como, Naturatins – Instituto Natureza do Tocantins, Instituto Ecológica, Presidente da Fecomércio/TO e  os deputados José Viana (Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia) e o representante do presidente da Assembléia Legislativa (deputado Carlos Henrique Gaguim), foi uma apresentação rápida e logo iniciou a primeira palestra da tarde.

I Painel: A Amazônia na 15ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima/ONU- COP 15

Tema 1: Mudanças Climáticas e o Mercado de Carbono no Tocantins – Dr. Erich Collicchio, Professor Adjunto da Universidade do Tocantins – UNITINSAGRO.

O palestrante foi bem praguimático e simples, eu diria… sem rodeios. De início explicou como ocorre o efeito estufa, com uma figura ele disse oque muitos já sabem – o Efeito Estufa é a forma que a Terra tem para manter sua temperatura constante – além de mostrar resumidamente as projeções e consequências das mudanças climáticas. Uma coisa que achei bem interessante foi ele mencionar a temperatura média da terra que é de 15° C e sem os gases do efeito estufa, esta temperatura cairia para  -18° C, uma diferença bem significante.

Ele lembrou do – Potencial de Aquecimento Global (em inglês, Global Warming Potential) ou Fator de Aquecimento Global (em inglês, Global Warming Factor) – que é uma medida de como uma determinada quantidade de gás do efeito estufa (GEE) contribui para o aquecimento global.  No qual este quadro abaixo pode representar como cada gás se comporta e em horizontes temporais.

O dióxido de carbono (CO2) tem um potencial de 1 (visto que é a base de comparação).

Potencial de aquecimento global e períodos do IPCC (2001) 
Gás Período (anos) Horizonte de tempo
20 anos 100 anos 500 anos
Metano (CH4) 12 62 23 7
Óxido nitroso (N2O) 114 275 296 156
Hidrofluorcarboneto (HFCs, como o HFC-23) 260 9400 12000 10000
Hexafluoreto de enxofre (SF6) 3200 15100 22200 32400

Foram apontadas várias questões curiosas e interessantes, como o aumento da concentração dos GEE – gases do efeito estufa (oque não é grande novidade) na atmosfera, a grande influência humana depois da revolução industrial para este aumento, da temperatura.

“Dobrando a concentração de CO2 a temperatura aumentará 6° C.”

Foi apresentado gráficos do IPCC e os cenários, no qual os mais favoráveis com aumento de 2° C e os piores de 5°C, pode parecer pouco mas pensando em escala global é muita coisa, já mudaria/transformaria muitos costumes não só humano mas animal e vegetal também. Os fenômenos naturais foram abordados pelo aumento, como por exemplo dos furacões, enchentes e secas, nível do mar por causa do derretimento das geleiras, riscos de extinção de animais , falta de alimentos e os colápsos  nos ecossistemas.

A questão agrícola também foi abordada, com a redução da precipitação em períodos secos e de maior necessidade hídrica, o que leva a redução da produtividade.

Alguns estudos científicos são desenvolvidos aqui no Tocantins, como o LBA (Programa de grande escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia, no qual há uma Torre de fluxo de carbono, que o próprio nome já diz, ela mede a concentração de carbono, evapotranspiração e fluxos de energia.

Para falar de sequestro de carbono ou mercado de carbono, nada mais justo doque apresentar os mecanismos de comercialização. Como os vários eventos que tornaram este ato realidade, como o Protocolo de Kyoto (1997/2205), que abrange 2 vertentes ( o regulado, que detém metas e o voluntário, que é constituído por empresas, ONGs, governos etc).

O Brasil consegue atuar pelo MDL, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo que é um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Kyoto para auxiliar o processo de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE) ou de captura de carbono (ou sequestro de carbono) por parte dos países do Anexo I.

O MDL pode se desenvolver nos seguintes setores:

  • Setor 1. Geração de energia (renovável e não-renovável)
  • Setor 2. Distribuição de energia
  • Setor 3. Demanda de energia (projetos de eficiência e conservação de energia)
  • Setor 4. Indústrias de produção
  • Setor 5. Indústrias químicas
  • Setor 6. Construção
  • Setor 7. Transporte
  • Setor 8. Mineração e produção de minerais
  • Setor 9. Produção de metais
  • Setor 10. Emissões de gases fugitivos de combustíveis
  • Setor 11. Emisões de gases fugitivos na produção e consumo de halocarbonos e hexafluorido de enxofre
  • Setor 12. Uso de solventes
  • Setor 13. Gestão e tratamento de resíduos
  • Setor 14. Reflorestamento e florestamento
  • Setor 15. Agricultura

Uma atividade de projeto MDL pode estar relacionada a mais de um setor.

A transação de crédito de carbono é simples, um orgão (voluntário ou regulado) compra os créditos de quem passou o nível de CO2, que precisava atingir.

1 crédito = tCO2 eq (equivalente)

Os mecanismos estão divididos assim:

Europeu = EU Allowances

Kyoto = MDL

Voluntário = VER

O voluntário está em grande ascendência, no qual teve um aumento de 110% de 2007 a 2008.

Algumas atividades podem ser listadas como redução, como os aterros, uso de bagaço, siderúrgicas e o reflorestamento com a inclusão do REDD – Redução das emissões do desmatamento e degradação.  Na Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, espera-se que haja uma redução de 40% (2020) e 80% (2050), caminhamos para isto… assim eu espero. rs

Nas próximas matérias apresentarei as outras palestras, aguarde.

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do #VivoVerde, mora em Palmas/TO há 15 anos e há 11 escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduanda em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultora nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @DaianeVV | Instagram: @DaianeVV

9 comentários em “Mudanças climáticas e sequestro de carbono

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