O século das explosões nucleares ficou para trás

Por: Filipêra

nuclearbomb

Quando se pensa na questão nuclear como um todo, logo se imagina que rolou Hiroshima e Nagasaki, uns testes nucleares em oceanos e desertos e chega. Parece pouco diante da real magnitude que foi a questão dos testes nucleares no século passado. O mundo recebeu até o momento cerca de 2.000 explosões nucleares, geralmente provenientes de países e fim de mostrar sua força ao mundo, como foi o caso dos estranhamentos que rolaram na Guerra Fria e nos recentes embates entre Índia e Paquistão. Se fizer uma média, do primeiro teste, em 1945, ao último, em 1998, o mundo não ficou mais que 22 meses sem um teste nuclear, o que mostra como certas pessoas gostam de mostrar as armas que tem. Claro que os motivos podem ser um pouco mais científicos e menos políticos, como os testes para verificar as condições de comportamento da arma, e quais os efeitos que ela pode causar.

Os testes nucleares se dividem em três tipos, dependendo de onde ele é realizado. Existem os atmosféricos, que são classificados assim quando a ogiva explode diretamente na atmosfera ou acima dela; os subterrâneos e os subaquáticos, auto-explicativos. Eles também variam de acordo com a forma com que a ogiva é lançada, podendo ser disparadas de aviões, diretamente de foguetes, de barcos, de balões, ou de outro artefato próprio pra isso.

Logicamente todo e qualquer tipo de teste causa efeitos de degradação natural. De todos eles, os subterrâneos são os menos maléficos, principalmente quando realizados em desertos. Os atmosféricos são os potencialmente mais perigosos, já que as chamadas cinzas nucleares são altamente poluidoras e não podem ser limpas após lançadas, sendo a ação natural da atmosfera lenta para se livrar dos resíduos provenientes das explosões.

O primeiro teste nuclear foi realizado pelos EUA, no dia 16 de julho de 1945, com uma potência aproximada de 20 quilotons (ou a potência estimada de 20 mil toneladas de dinamite, ou TNT). A maior arma já testada – e construída – foi a Tsar Bomba (ou RDS-220), com 57 Megatons (57 milhões de toneladas de TNT), que destruiria Hiroshima cerca de cinco mil vezes (ou 10 vezes mais poderosa que todos os explosivos detonados em todos os seis anos de II Guerra Mundial), e olha que os cientistas diminuíram o projeto original, que era de uma bomba de 100 megatons. A potência dela foi diminuída pois seus projetistas tinham medo de causar uma catástrofe nuclear na atmosfera, além de provavelmente ser uma missão suicida para o piloto do avião que carregaria a bomba.

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E os países testadores de armas atômicas não têm qualquer cuidado especial no impacto que isso causa nas populações que vivem ao redor do local de testes. Nos EUA já foram feitos testes no deserto de Nevada (sim, Las Vegas tá por ali), que contém uma população de 800 mil pessoas. Já do lado russo, alguns testes foram feitas na região do Polígono Semipalatinskij, que contém uma população de 803 mil pessoas nas áreas próximas, e em Novaja Zemlia, região ártica no extremo norte do país, que foi degradada ambientalmente.

Bom, mas mesmo o século passado tendo sido explosivo, com cerca de 2.400 testes nucleares, esse é um mal que provavelmente não veremos nesse século. Já em 1963, foram tomadas as primeiras medidas para que se limitassem os testes nucleares, principalmente pelo fato de que eles não trazem qualquer benefício para a humanidade. No mesmo 1963, vários estados possuidores da bomba – e mesmo alguns não possuidores – assinaram o Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares, que proibia testes subaquáticos, na atmosfera, ou no espaço, ficando apenas os subterrâneos sendo permitidos. A França, contudo, continuou com testes atmosféricos até 1974, enquanto a China foi até 1980.

Os subterrâneos também não duraram muito: a União Soviética realizou seu último em 1990, enquanto os EUA foram até 1992. O Reino Unido foi até 91, enquanto França e China até 96. Em 1996 surge o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares, onde praticamente todos os possuidores da bomba se comprometem a cessar com os testes.  A Índia e o Paquistão, que não assinaram o Tratado, realizaram os últimos testes nucleares em 1998.

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E com essa assinatura, há 11 anos, mais um capítulo de destruição humana à natureza se encerra, ficando para a Biosfera se recuperar dos dilaceramentos causados por artefatos cuja única razão de existir é destruir a vida humana! Somente pense que esses 11 anos após o último teste, já são, de longe, o período em que o mundo ficou mais tempo sem testes nucleares…

[Via Agência Internacional de Energia Atômica e Gizmodo]

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O Filipêra é um dos nerds integrandes do Blog Nerds Somos Nozes, que para mim, é o melhor blog do gênero. E ele também é meu amigo pro-blogger do . Amo muito!

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do Portal VivoVerde, nascida e residente de Minaçu/GO e há 12 anos escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduada em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultor, ministra treinamentos nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @VivoVerde | Instagram: @DaianeVV | 063999990294

14 comentários em “O século das explosões nucleares ficou para trás

  • 10 de dezembro de 2009 em 17:16
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    Tem alguns erros de edição no final do texto.

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  • 11 de dezembro de 2009 em 14:28
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    Ainda não corrigiram isso?

    ficando apenas os subterr espaço- e medidas para que se limitassem os testes nucleares, principalmente pelo fato de que eles n

    O texto está sem final.

  • 11 de dezembro de 2009 em 14:43
    Permalink

    O texto está sem final.

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  • 11 de dezembro de 2009 em 19:58
    Permalink

    Isso que eu já falo há dois comentários!

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  • 13 de fevereiro de 2010 em 16:28
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    Alguem já relacionou os efeitos das explosões dos testes nucleares que o GOV. FRANCES FEZ PROXIMO AO HAITI E NA REGIÃO DA POLINESIA FRANCESA, FORAM MAIS DE^46 EXPLOSÕES NUCLEARES. O GOV. FRANCES ESCONDEU ISTO POR MUITO TEMPO E NA ÉPOCA SOFREU FORTES PRESÕES INCLUSIVE DOS E.U.A PARA PARAR. Isto foi no GOV. DO CHARLES CHIRACK.

  • 13 de fevereiro de 2010 em 16:35
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    Digo, alguem já relacionou os efeitos dos testes subaquatico nucleares da frança, próximo ao Haiti com o terremoto ocorrido?
    Penso que isto merece uma investigação séria, por que os especialistas na época alertaram sobre as consequencias castrastóficas. Mas como este assunto era confidencial e top-secreto.
    Penso que as ong`s ambientalistas, os partidos verdes etc….devem levantar esta lebre. Vou fazer a minha parte. Lúcio.

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