Parceria inédita viabiliza uso de inteligência geoespacial em monitoramentos ambientais

Imagem de satélite da foz do rio Doce após o rompimento da barragem de rejeitos de 2015, mostrando a entrada de rejeitos no oceano.

Empresas aliam expertises para aprimorar monitoramentos ambientais com tecnologias de inteligência geoespacial

O Lactec – centro de referência em inovação e pesquisas tecnológicas – e a empresa alemã Eomap – especializada em sensoriamento remoto para serviços ambientais  firmaram uma parceria para realizar projetos, no Brasil, na área de monitoramento de ambientes aquáticos, a partir de tecnologias de inteligência geoespacial. Pesquisadores e especialistas das duas empresas já trabalharam em conjunto na investigação dos danos ambientais, na Bacia do rio Doce e região costeira adjacente, após o rompimento da barragem de rejeitos de minério, ocorrido em Mariana (MG), em 2015.

“O monitoramento ambiental em meio digital é uma tendência, que já vem se consolidando em outros países. O uso inteligente de dados, que são coletados por imagens orbitais, diariamente, é uma parte essencial dessa metodologia. O trabalho realizado pelo Lactec e a Eomap, no projeto do rio Doce é uma prova da efetividade do uso do sensoriamento remoto em avaliações ambientais. Graças à esta parceria, haverá mais oportunidades de aplicações desses conceitos no Brasil”, declararam, em conjunto, as empresas.

A partir da união das expertises do Lactec e Eomap, foi possível construir uma imagem completa do desastre ambiental de Mariana. Os especialistas aplicaram análises de imagens de satélite, modelagem e dados coletados em campo, permitindo identificar como a lama de rejeitos se espalhou pelo rio até chegar ao oceano, comprometendo a qualidade da água e a biota.

Esse trabalho terá continuidade, agora, na avaliação dos reflexos das enchentes registradas no estado mineiro, no início deste ano. Com as cheias, os rejeitos de minério que estavam depositados nas margens, bem como nos sedimentos, no fundo do rio Doce e afluentes, podem ter agravado as condições ambientais daqueles ecossistemas, em relação à qualidade da água.

A pesquisadora da área de Meio Ambiente do Lactec, Gheysa do Rocio Morais Pires, explicou que a tecnologia de sensoriamento remoto – associada a softwares com algoritmos específicos – possibilita a coleta e o tratamento de uma série de informações sobre o ambiente aquático, como temperatura, turbidez, sólidos em suspensão, concentração de clorofila, entre outros, que são parâmetros importantes para determinar a qualidade da água.

Mapa de turbidez da foz do rio Doce baseado na imagem de satélite, produto do algoritmo da Eomap.

Vantagens

De acordo com o geógrafo Henrique Reisdorfer Leite, representante da Eomap no Brasil, o uso da inteligência geoespacial para monitoramentos ambientais apresenta uma série de vantagens. Um delas é a abrangência espacial que, nas campanhas em campo, enfrenta limitações pelas dificuldades de acesso e custos envolvidos. Outra vantagem é a possibilidade de avaliar condições ambientais pregressas, a partir das imagens de satélite que ficam armazenadas em bancos de dados das agências espaciais.

“O sensoriamento foi essencial no trabalho na bacia do rio Doce, pois as imagens de satélite nos permitiram voltar no tempo e ver qual era a condição dos rios, antes do rompimento, até para poder identificar quais foram, de fato, os danos provocados pela lama de rejeitos de minério”, acrescentou Gheysa, lembrando que os dados do monitoramento digital foram validados pelas análises de amostras coletadas em campo.

Aplicações

Essas mesmas tecnologias e metodologias de inteligência geoespacial podem atender às demandas de empresas do setor elétrico e de saneamento, por exemplo, para o monitoramento ambiental de reservatórios hídricos.

“Usando o big data dos satélites, podemos fazer a medição remota dos parâmetros indicadores de qualidade da água. Isso nos permite fornecer um mapeamento espacial e frequente para todas as águas brasileiras. Trata-se de uma dimensão completamente nova para a amostragem e o monitoramento de águas interiores, com o intuito de fornecer às autoridades regionais e nacionais, bem como os gestores dos reservatórios, uma excelente fonte de informação para embasar suas decisões e relatórios”, complementou Henrique.

O Lactec e a Eomap também já haviam aliado suas expertises em um projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D), realizado para a China Three Gorges – CTG Brasil, no qual se buscou desenvolver um método automatizado para o monitoramento da ocorrência de macrófitas aquáticas, integrando tecnologias de sensoriamento remoto e modelagem hidrodinâmica.

“Trabalhamos com o Lactec há anos e apreciamos sua experiência e paixão em introduzir inovações no monitoramento e gerenciamento de reservatórios e águas terrestres. Portanto, parece muito natural que combinemos nossas forças para oferecer soluções conjuntas e melhorar a eficiência do monitoramento e mapeamento dos ecossistemas aquáticos brasileiros”.


Knut Hartmann, ddiretor de Operações da Eomap

Daiane Santana

Daiane Santana é a idealizadora do Portal VivoVerde, nascida e residente de Minaçu/GO e há 12 anos escreve neste site. Formada em Engenharia Ambiental, pela UFT – Universidade Federal do Tocantins, pós-graduada em Gestão de Recursos Hídricos e Segurança do Trabalho. Atua como consultor, ministra treinamentos nas áreas de meio ambiente, segurança do trabalho e está a disposição do mercado de trabalho. Contato: contato@vivoverde.com.br | daiane@vivoverde.com.br | Twitter - @VivoVerde | Instagram: @DaianeVV | 063999990294

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