Recursos Humanos, para que?


Dove, óleo de palma e exploração ambiental.

O vídeo é uma satira ao comercial “Dove Onslaught”, que passa a mensagem: “Fale com sua filha antes que a indústria da beleza o faça”. O objetivo é apontar a extração do óleo de palma na Indonésia, indústria essa responsável pela massiva substituição da floresta nativa por palmeiras. O apontamento direto para a Dove é supostamente devido ao comercial. Entretanto, são muitos os fabricantes que possuem produtos a base de óleo de palma.

A questão não é apenas o vídeo em si, até porque ele é de 2008. Nem mesmo a Dove. Mas sim, o que ele me fez lembrar. Uma prática considerada eticamente correta para corrigir o dano causado ao meio. Chamada de mitigação.

Está se tornando cada vez mais comum ver grandes empresas investir em projetos de mitigação. Desta forma, aos olhos sociais, estão sendo eticamente corretas. Elas cometem o erro, causam o dano, mas “consertam”. Tira-se um pouco daqui e conserta-se colocando outro pouco ali.

O problema disso tudo é que por baixo dos panos, gera um mercado baseado em lucros. E o que esse mercado vende é uma falsa ética baseada em mascarar toda a sujeira envolvida. Isso contribui para quem explora, da motivos para se explorar ainda mais. Ao invés de se permitir a “exploração mitigada”, por que não parar de explorar? É certo que é devido aos lucros, mas a pouco estaremos explorando o explorado. E então? O que de puro e verdadeiro sobrará?


Segue abaixo, um texto de Efraim Rodrigues.

A regra geral do jogo da mitigação ambiental é que um grande mal feito aqui pode ser pago com um grande bem feito ali. Uma hidrelétrica aqui pode ser “paga” com uma reserva ali. Um novo shopping pode ser pago com a destruição de uma barragem, permitindo a subida de peixes de um rio. Para facilitar esta troca, estão sendo criadas algumas moedas. Uma delas, freqüentemente usada no Brasil, nos obriga a plantar 10 árvores para cada uma cortada. Há outras equivalências em área, em quantidade de espécies e outras medidas. Criada a moeda, criaram-se também empresas para gerar lucro no negócio de mitigação ambiental. Aqui nos EUA, elas já são mais de 50 e não param de crescer. Ontem visitei uma delas, Restoration Systems LLC em Raleigh – NC, responsável por mais de 30 projetos de restauração na região. Assim como com as outras 50, eles estão à procura de oportunidades para fazer bondades ambientais que possam ser pagas pelos pecadores de sempre. Estas igrejas modernas vendem caro suas indulgências, mas este não é seu pior pecado. Seu pior pecado é criar um mercado de perdão. Se existe perdão, qual a razão para não pecar? Qual a razão para não destruir se posso pagar para calar a boca de quem sentir-se ultrajado, vilipendiado, roubado enfim? Apesar desta indústria ainda não existir no Brasil, muitas empresas usam a idéia de mitigação informalmente. Destroem de um lado e fazem algo do outro para compensar. Em algum momento alguém pensou em parar de destruir? Ao contrário do que diz a propaganda do cartão de crédito, na natureza. não são só algumas coisas que não tem preço. São quase todas. Quanto custa uma espécie extinta, quanto custa um rio interrompido, uma floresta derrubada? Os pesquisadores, que teriam mais chance de trazer uma luz, irão responder que depende da espécie do rio e da floresta. Ainda pior, aqueles que nada entendem, darão um passo à frente com uma resposta pronta do tipo “restaure uma área três vezes maior que a do impacto” A solução para a crise ambiental está na ética e só nela. Como escreveu a professora Lynn Maguire aqui de Duke em seu artigo Comprando Conservação: Valor intrínseco versus valor instrumental: O valor intrínseco de entidades não humanas não pode ser medido, priorizado ou negociado. Resumindo: Ética não se negocia. Ou ela existe ou ela não existe, e vejo que ela não existe.

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