Turismo em Unidades de Conservação

Abrindo esta coluna, e apenas, dando início a exploração do incrível universo da visitação ao meio natural, proponho uma reflexão sobre as unidades de conservação. Em momento de grave ameaça a todas as categorias de unidades de conservação no Brasil, é muito importante trazer a luz o papel das unidades que tem uso público (visitação) como parques nacionais e estaduais, reservas particulares do patrimônio natural RPPN, monumentos naturais e reservas extrativistas RESEX.

Parque Estadual do Jalapão – Foto: Paula Montenegro

As atividades de visitação em áreas naturais, dentro e fora de parques, tem um papel que vai muito além da educação ambiental voltada para o entendimento do valor do meio natural para a vida humana.

São muitos os benefícios à saúde durante as atividades de visitação tais como caminhar, nadar, nos alongar, consumir alimentos preparados com produtos locais e orgânicos produzidos pelas comunidades que moram entorno destas áreas, entre outros. O aporte de endorfinas e hormônios produzidos durante a interação do homem com a natureza durante caminhadas, observação de fauna selvagem, superação de obstáculos naturais, contemplação de paisagens, banhos, são essenciais para equilibrar emocional e espiritualmente uma vida de pressões e desgastes gerados pelo trabalho e a rotina nos grandes centros.

Esta reconexão entre o meio natural e o homem pode ser uns dos maiores remédios contemporâneos para os diversos males causados em cadeia, pelo estrese do dia a dia. Para além dos benefícios físicos, emocionais e espirituais, é muito interessante que se observe que a visitação a parques beneficia de forma muito direta o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem em volta das unidades. Uma organização bem planejada das atividades potenciais de visitação abre a estas comunidades a possibilidade de melhora econômica significativa, permitindo que haja menos pressão econômica sobre os recursos naturais nas áreas protegidas e em seu entorno.

Parque Nacional Marinho dos Abrolhos – Foto: Paula Montenegro

As atividades de visitação movimentam a economia local de forma muito bem distribuída devido à variada necessidade de serviços para o turista. Esta perspectiva abre espaço a negócios de porte variado permitindo que a comunidade participe desses arranjos económicos mantendo seus aspectos culturais originais que muitas vezes são o charme principal nas viagens feitas ao meio natural. As comunidades dessas áreas têm lutado para entender esta relação e se preparar para receber visitantes, dentro da simplicidade em que vivem, e da riqueza dos recursos naturais e culturais que seu lugar de vida oferece.

É muito bom que nos lembremos de quando visitarmos os parques e as comunidades que vivem ali, uma postura de troca, respeito e valorização da cultura local, nos enriquece como seres humanos.

Uma viagem ao meio natural pode ser uma viagem no tempo e em nossos corações, com um retorno a nossa própria essência trazendo benefícios que você nem imaginava e, de quebra, você ainda pode ajudar muita gente boa a melhorar de vida enquanto disfruta destes prazeres.

O papel e a importância das unidades de conservação brasileiras vão muito além dos serviços ambientais que ela oferece.

Aproveite, valorize, cuide e compartilhe.

Esta matéria foi escrita na Resex de Canavieiras, e inspirado nas comunidades lutadoras de todas as Resex do extremo Sul Bahiano,  com a luxuosa ajuda na correção de meu Português ruim, do amigo turismólogo Argentino, Fernando Gomez. 

Paula Montenegro

Paula Costa Montenegro Guimarães é natural de Vitória/ES, tem 46 anos. Já trabalhou em vários institutos e unidades de conservação, com uma vasta experiência nesta área. Contato: E-mail - turismopm@vivoverde.com.br

2 comentários em “Turismo em Unidades de Conservação

  • 10 de junho de 2019 em 18:51
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    Muito bom Paula Montenegro, realmente a reconexão entre o homem e o meio natural pode ser uns dos maiores remédios contemporâneos, ainda mais considerando que todos nós fazemos parte desse ambiente, e que natureza preservada não esta numa redoma de vidro.

    Parabéns pelo texto, vou comparrilhar com os amigos e ficar esperando os próximos.

  • 11 de junho de 2019 em 17:19
    Permalink

    Grande pegada em texto excelente de uma excepcional lutadora ambiental como tanto precisamos nesse país em tempos de desmonte geral! Uma profissional viajada e engajada, com sensibilidade e bagagem para discutir de forma ampla as questões ambientais num Brasil com imensa riqueza natural e biodiversidade objeto de cobiça e vampirização dos interesses do capital. Parabéns Paula Montenegro, sigamos lutando!!!

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